Reportagens

Antes tarde do que nunca

Em discurso no Congresso, George Bush reconhece pela primeira vez que o aquecimento global é um desafio para a humanidade. Mas não explica direito como vai combatê-lo.

Manoel Francisco Brito ·
24 de janeiro de 2007 · 20 anos atrás

Foi o ponto mais rápido de um longo discurso. Não durou três minutos. Ainda assim, chamou atenção. Afinal, foi a primeira vez em seis anos de governo que George Bush reconheceu que seu país terá que “confrontar o sério desafio da mudança climática global”. E numa situação que não podia ser mais oficial, o discurso do Estado da União, um ritual no qual todo mês de janeiro, o presidente da República presta contas de seu governo e expõe seus planos futuros para o Congresso e membros do Judiciário e do Corpo Diplomático.

A menção presidencial ao efeito estufa foi precedida por quatro parágrafos e meio que começaram com um chamado aos congressistas para, em conjunto com a Casa Branca, perseguirem o objetivo de reduzir o uso de derivados de petróleo nos Estados Unidos em 20% ao longo dos próximos 10 anos. “Desse modo, reduziremos em ¾ a quantidade de petróleo que importamos do Oriente Médio”, disse Bush. “Para chegar lá, precisaremos aumentar o suprimento de energias alternativas, definindo um padrão de consumo mínimo de 132 bilhões de litros de combustíveis renováveis”.

O presidente não disse muito como pretende chegar em 2017 economizando, segundo ele, 32 bilhões de litros de gasolina. Deu apenas uma idéia geral do que acredita ser o caminho. “Será através da tecnologia”, afirmou. “Precisamos investir em novos métodos de produção de etanol usando tudo, de lascas de madeira até grama, passando por rejeitos agrícolas”. Mencionou que o país precisa gerar eletricidade mais limpa empregando a “energia eólica e solar e energia nuclear limpa e segura”. Prometeu incentivar pesquisas para aperfeiçoar os veículos híbridos e a popularização do uso de biodiesel e diesel limpo.

De concreto mesmo, ofereceu apenas uma medida de curto prazo. Que aliás, não tinha nada a ver com o espírito dos três parágrafos e meio anteriores mas que, segundo ele, era condição fundamental para atingir os objetivos de produzir energias “sensíveis ao meio ambiente”. Bush disse que os Estados Unidos vão precisar aumentar imediatamente a sua produção doméstica de petróleo e pediu ao Congresso que determinasse já que o país dobrasse as reservas estratégicas federais do combustível. Em um parágrafo, o presidente americano aumentou o mercado para a fonte de energia que ele agora diz que o país precisa se livrar.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
30 de julho de 2026

As árvores não falham. As cidades, sim

Em um clima cada vez mais extremo, o risco não está nas árvores, mas em décadas de planejamento inadequado, manejo deficiente e negligência com a arborização urbana

Salada Verde
30 de julho de 2026

Ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro pode ser vice de Flávio

Senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou, em nota, que discutiu a possibilidade de compor a chapa com o filho do ex-presidente, mas que decisão ainda precisa passar pelo partido

Notícias
30 de julho de 2026

A volta dos muriquis às matas de Ibitipoca, em Minas Gerais

Reintrodução de três muriquis-do-norte foi feita nesta quarta-feira e marca o retorno do primata à floresta de onde espécie foi localmente extinta há décadas

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.