Reportagens

Sinal verde para um cálculo

Fundo Amazonas Sustentável recebe certificado de créditos de carbono por desmatamento evitado. Diretor diz que atestado dá credibilidade ao método de contabilizar o estoque de emissões.

Dominique Lima ·
16 de outubro de 2008 · 18 anos atrás

O Fundo Amazonas Sustentável (FAS), uma parceria do Bradesco com o governo do Amazonas que investe em iniciativas para evitar desmatamentos e pretende ganhar dinheiro vendendo créditos no mercado de carbono, conseguiu, no início de outubro, uma coisa inédita pelo menos na América Latina. Uma das 35 unidades de conservação no Amazonas onde a Fundação atua, a Reserva do Juma, recebeu certificação da empresa de auditoria alemã Tüv Süd de padrão para projetos de combate às mudanças climáticas.

Na prática, a certificação servirá de instrumento para que a reserva do Juma procure conquistar a confiança de investidores nacionais e internacionais dentro do mercado de carbono, melhorando as condições de preservação. Para o diretor-geral da FAS, Virgilio Viana, uma grande vantagem do atestado é o reconhecimento da metodologia para calcular o ganho de carbono por desmatamento evitado usada no projeto, que segundo ele, garantiu a presevação de mais de 366 mil hectares da reserva.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“O método RED calcula suas projeções de desmatamento evitado baseando-se nas tendências atuais de desmatamento na região, podendo assim contabilizar a emissão de carbono evitada. Houve críticas e barreiras metodológicas, mas agora a RED se tornou um instrumento de mercado. Com ela já conseguimos investimentos de mais três milhões de reais para a região”, diz. Viana reconhece que muito do que foi conquistado pelo trabalho do FAS deveria ser o resultado da ação dos governos estadual e nacional para fazerem valer a lei.

O diretor-geral do FAS admite a velocidade do trabalho do Estado não condiz com a necessidade urgente de mudança. “Já fui secretário estadual de meio ambiente e sei que o governo tem sérios problemas devido à burocracia e rigidez, que o tornam pouco eficiente. Por isso projetos de ação não-governamental em grande escala, que são raros hoje, são muito necessários para mitigar problemas urgentes como o desmatamento”, diz.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
21 de maio de 2026

Câmara avança com PL que reduz proteção de campos nativos no país

Texto segue ao Senado sob críticas do MMA, Ibama, ICMBio e organizações ambientais, que veem risco à Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Pampa

Notícias
20 de maio de 2026

“É um retrocesso inimaginável” afirma Capobianco a ofensiva no Congresso contra fiscalização ambiental

MMA, Ibama e ICMBio alertaram para riscos de propostas que restringem embargo remoto, reduzem proteção a espécies e ameaçam unidade de conservação na Amazônia

Podcast
20 de maio de 2026

Um córrego que desafia o concreto de São Paulo

Como a insistência de um homem em plantar mais de 40 mil árvores transformou o córrego Tiquatira no maior parque linear de São Paulo.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.