
Se você acha que o aumento da temperatura planetária é a maior ameaça à biodiversidade, pode tirar seu cavalinho da chuva. Conforme o professor de zoologia Thomas Lewinsohn, da Universidade de Campinas, outros fatores devem ser incluídos nessa conta, como o próprio aumento na quantidade de gás carbônico na atmosfera, elevação dos níveis de hidrogênio, recrudescimento de problemas com espécies invasoras e mudanças no uso do solo por desmatamento e queimadas. “Os efeitos desses processos não são independentes e podem ter efeitos surpreendentes sobre as espécies”, disse.
Uma planta encontrada no Cerrado, a arnica-do-mato (Chromolaena odorata), tornou-se uma grande invasora de regiões na América do Sul. Com base nas características climáticas dos locais onde sobrevive, um time de pesquisadores encabeçado por Lewihson projetou onde ela poderia ganhar ainda mais espaço em porções da Ásia, Oceania e África.
“Descobrimos áreas de grande risco para sua instalação, onde ela pode se tornar uma praga importante com o aumento da temperatura”, comentou. Mas a descoberta mais interessante do grupo foi observar que abelhas e outros polinizadores deixavam de lado florestas nativas atraídos pelas intensas floradas da plantinha brasileira. “Esse fenômeno mostra uma invasão biológica que pode ganhar força com o aumento da temperatura e ameaçar florestas”, ressaltou.
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