Reportagens

Hidrelétricas do Tapajós: em mapa, números e gráficos

((o))eco tem reportado as repercussões das 5 usinas hidrelétricas a serem construídas. Veja os dados de Itaituba, a cidade base para a construção e operação das usinas.

Rafael Ferreira ·
19 de julho de 2013 · 8 anos atrás

No mapa interativo acima, é possível ver as localizações aproximadas dos empreendimentos. E, clicando nas localidades, o leitor pode descobrir mais informações sobre cada um. O Complexo Hidrelétrico do Tapajós é composto pelas seguintes usinas: UHE São Luiz do Tapajós, UHE Jatobá, UHE Jamanxim, UHE Cachoeira do Caí, UHE Cachoeira dos Patos, todos em estudos, além de outros dois aproveitamentos inventariados: Chocorão e Jardim do Ouro. O empreendimento ainda está na fase de estudo de viabilidade, que para algumas das usinas ainda não começou.

Espera-se que, após a conclusão, o complexo tenha uma potência instalada de 10.682 megawatts (MW). A vizinha, a Usina de Tucuruí, também no Pará, tem capacidade instalada de 8.370 MW. Se comparado às outras megausinas brasileiras, só fica atrás da binacional Itaipu, de propriedade brasileira e paraguaia, com 14.000 MW e da ainda em construção Usina de Belo Monte, que se estima gerará, em plena capacidade, 11.233 MW.

Itaituba (tupi para “lugar de pedregulhos”) é um dos principais centros econômicos do Pará e uma das cidades que apresentam crescimento econômico acelerado no interior do país. A 15ª maior cidade (em termos populacionais) do estado, 3ª maior cidade do oeste paraense, com o 13º maior PIB. A cidade é considerada pelo IBGE como um centro sub-regional (terceiro na hierarquia de classificação de centros urbanos do IBGE, caracterizado pela existência de atividades de gestão e de influência sobre os municípios mais próximos) de médio porte (por possuir população entre 100.000 e 500.000 habitantes), encontrando no setor de serviços o motor de sua economia.

Mas este não é um retrato completo. Entre meados da década de 1980 e início da década de 1990, a economia do município era fundada na extração do ouro no Vale do Tapajós. Observou-se no período um crescimento desorganizado da cidade, com um significativo aumento da pobreza na periferia, além da degradação ambiental causada pelo mercúrio. Com a redução da exploração do ouro no início da década de 90, a cidade começou a ver surgir empreendimentos ligados principalmente ao setor agropecuário e madeireiro.

A extração de ouro, entretanto, ressurge a partir de 2000, com a instalação de grandes conglomerados ligados à atividade de mineração e com o garimpo clandestino. Na região de Itaituba, hoje, há cerca de 3 mil garimpos clandestinos. O setor, em seu modelo legal ou ilegal, é a verdadeira força motriz da economia local.

O abastecimento de energia até fins dos anos 1990 representava um problema crônico para a cidade. Em 1998, Itaituba passou a ser atendida pelo Projeto Tramoeste, que transmite energia produzida na Hidrelétrica de Tucuruí para diversas cidades no oeste paraense. A construção do Complexo de Tapajós certamente representará semelhante, um novo “boom” econômico na região. Os custos sociais e ambientais, entretanto, podem ser altos demais,como demonstram os artigos desta série.

Veja nos gráficos abaixo, a evolução do município nas últimas décadas:

 

Saiba mais
IBGE
ANEEL
RIMA Complexo Itaparucá
Estatística Municipal (2013) do IDESP (Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará)
Itaituba (Wikipedia)

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