Salada Verde

Acabando com os rios africanos

Um dos artigos mais primorosos sobre as mentiras contadas para justificar as boas intenções da construção de hidrelétricas foi publicado na edição de junho da revista britânica Ecologist. Não falava do Brasil, mas da destruição dos rios africanos. O jornalista investigativo Khadija Sharife conta que a geração de eletricidade de Moçambique, por exemplo, é suficiente para abastecer o país inteiro, mas paradoxalmente só 9% da população usufruem da energia. A África já tem 1.270 usinas e quase todas servem diretamente a indústrias multinacionais, fornecem água para mineradoras e irrigação para grandes latifúndios. Cerca de 400 mil pessoas já foram desapropriadas por causa das hidrelétricas e seu acesso à energia continua marginalizado, sem falar nos prejuízos ao acesso aos cursos d’água, que passam a fluir cada vez menos, no continente mais castigado por secas no planeta. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Salada Verde ·
8 de junho de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
10 de junho de 2026

Mutirão 2: o inimigo não é outro

Por um errante minuto, a qualidade da imaginação do cinema carioca me faz desejar que o setor climático aprenda a mobilizar a opinião pública com o marketing do setor de segurança

Análises
9 de junho de 2026

A corrida maluca do financiamento climático

Para cada dólar investido na natureza, outros 30 financiam sua destruição. No total, US$ 7,3 trilhões em fluxos financeiros dos setores público e privado têm impacto negativo direto na natureza

Salada Verde
9 de junho de 2026

Casal de ambientalistas de SC recebe prêmio por trabalho pela conservação da Mata Atlântica

1ª edição do Prêmio Miguel Milano de Conservação da Natureza reconhece o legado de Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl, fundadores do Instituto Rã-Bugio, em Santa Catarina

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.