Aldem Bourscheit
Nos últimos dias chegou até minha mesa o Manual de Transferência de Tecnologia Brasil-Alemanha / Guia Prática sobre Intercâmbio Tecnológico e Inovação. O título enorme se traduz em um apanhado sobre o status de investimentos e mercados para tecnologias sustentáveis nos dois países. Algo em que nosso par europeu está anos luz à frente, diga-se de passagem. No meio das mais de trezentes páginas da publicação organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha e apoio de governos e empresas brasileiras, prefiro destacar um dado sobre Pequenas Centrais Hidrelétricas, as chamadas PCHs. No Brasil elas podem gerar até 30 Megawatts de energia inundando até 13 quilômetros quadrados, afirma a Aneel. Com grande parte do potencial hidrelétrico nacional já explorado em grandes barragens (sem contar a Amazônia), mostra o documento que a bola da vez são os pequenos barramentos. Este ano, por volta de 250 são construídos no país, exigindo R$ 15 bilhões. A energia adicional esperada dessas obras é da ordem de 3,7 Gigawatts, semelhante a três vezes o projetado na usina de Estreito (MA/TO). No conjunto, os impactos socioambientais de todas essas PCHs não são irrelevantes, mas costumam ser ignorados pela alcunha desse tipo de empreendimento. O Brasil ainda não consegue agir de verdade para diversificar sua matriz geradora de eletricidade.
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