Semana passada os Estados Unidos viveram o Snowpocalipse, com uma das maiores tempestades de neve das últimas décadas. A Europa também vive uma onda de frio como há muito não se vê. Estes eventos têm levado a opinião pública a se tornar incrédula quanto ao aquecimento global (melhor denominado mudança climática), mas também mostram a complexidade dos sistemas climáticos e como é difícil informar ao público sobre seu funcionamento.
As ondas de frio em parte do hemisfério norte foram causadas por mudanças na circulação atmosférica resultantes do El Niño, o mesmo fenômeno que está causando secas na Venezuela e chuvas em São Paulo. Basicamente, correntes de ar gélido vindas do Ártico substituem correntes temperadas vindas do sul, congelando parte da Europa e América do Norte enquanto partes do norte da Ásia congelam menos que o habitual.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, ocorre “normalmente” a cada 3 a 7 anos, mas há modelos que prevêm uma maior frequência conforme o planeta se torna mais quente em média. Não é ainda possível dizer se o atual El Niño é parte de uma tendência nesta direção, o que só será evidente em alguns anos. Por outro lado, o aumento na temperatura dos oceanos significa mais água na atmosfera, o que somado ao ar polar significa tempestades de neve mais intensas e alguns climatologistas vêem aí uma consequência das mudanças climáticas
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