
Chamou a atenção de boa parte dos analistas que assistiram a coletiva dos ministros capitaneados por Izabella Teixeira três fatos: o uso de uma apresentação em power point sôfrega e indecifrável durante o tempo que a audiência teve para digeri-la. Pareceu camuflagem para a falta de conteúdo que foi a tônica do encontro. Em segundo, a presidente Dilma abandonou sua imagem de coragem e faltou. Para terminar, soubemos que a informação esperada só virá 48 horas após a data em que deveria ter sido entregue aos cidadãos, como colocou com veemência Guilherme Purvin, colunista de ((o))eco.
Ao final ficamos sabendo que foram 12 vetos e 32 modificações, das quais 14 recuperaram pontos do projeto do Senado que foram alterados pela Câmara dos Deputados. Além disso, poucos detalhes. Descobrimos que os buracos serão preenchidas por Medidas Provisórias que, ao contrário do direito de veto da presidente, não são medidas exatamente democráticas.
Descobrimos também que “não haverá anistia a desmatadores”, mas que eles poderão contar com a “suspensão das multas” se assinarem um termo de compromisso para recuperação de Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais. O prazo para se enquadrar na lei foi dilatado de 1 para 5 anos.
Os pequenos proprietários receberam tratamente mais brando e diferenciado. Donos de terra com até um módulo fiscal precisam recuperar apenas 5 metros de margem de rio, não importa quão largo seja seu curso. Para terras entre 1 e 2 módulos, a recuperação deve ser de 8 metros e, entre 2 e 4 módulos, são 15 metros de exigência. A partir de 4 módulos começa a importar a largura do rio, como mostra a tabela abaixo.
Finalmente, o Congresso terá agora alguns meses para votar o veto. Ou seja, Dilma ficou com o pacote de bondades, embora confuso. Um possível novo round de flexibilização do código e das punições poderá ser debatido e votado bem depois da Rio+20.
Para quem gostar de números e mapas, segue a apresentação que a ministra Izabella usou durante a coletiva
| Áreas de Preservação Permanente Ripárias | |||
| Tamanho da propriedade em modulos fiscais | Largura do rio | % máximo propriedade em APP | |
| – | Até 10m | Mais de 10m | – |
| 0-1 | 5m | 5m | 10 |
| 1-2 | 8m | 8m | 10 |
| 2-4 | 15m | 15m | 20 |
| 4-10 | 20m | 30-100m | Recuperação Integral |
| >10 | 30m | 30-100m | Recuperação Integral |
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena
Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais →
PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada
Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares →
Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco
Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva →
