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Taiamã, Dia 03, à espera das onças

Acompanhe os detalhes e veja as fotos do terceiro dia da expedição à estação ecológica no Mato Grosso que vai estudar o comportamento das onças em região com turismo.

7 de outubro de 2011 · 15 anos atrás
  • Adriano Gambarini

    Fotógrafo profissional desde 1991. Vencedor do Prêmio Comunique-se, é geólogo de formação, com especialização em história natural e espeleologia, autor de 20 livros e diretor de dezenas de documentários.

Nesta semana, Adriano Gambarini acompanha a expedição à Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso. Ele conta aqui o dia-a-dia dos pesquisadores e o monitoramento das onças pintadas.

 

DIA 03, fase das checagens

 

O nascimento de mais um abençoado dia. Foto: Adriano Gambarini
O nascimento de mais um abençoado dia. Foto: Adriano Gambarini
São 22: 30h. Se existe algum sentimento que nos acompanha a partir de agora é a ansiedade. Laços montados, planejamento detalhado de checagem dos mesmos para que tudo ocorra da forma mais segura para as onças, o que nos resta é esperar. Esperar ansiosamente durante o breve período entre uma checagem e outra, que tornamos uma eternidade tal a vontade de nos deparar com este fantástico ‘gato’. Durante estes momentos nos escondemos de nossas ‘apaixonadas’ mutucas, na base da Esec Taiamã, no único lugar possível para permanecer: uma varanda cercada por uma tela verde que por hora nos acolhe do calor abafado. Como estamos no meio do Pantanal, e obviamente um paraíso como este tem um peculiar modo de mostrar que só os persistentes (ou loucos?) são aptos a conhecer sua beleza, estas telas nos protegem apenas das mutucas. Os bons e milenares mosquitos conseguem passar, e neste exato momento da noite estamos em suas boas e zumbidas companhias!

Já que no primeiro dia apresentei nossa ‘atriz principal’, creio que seja pertinente mostrar o resto do elenco. O CENAP é um centro de pesquisa do ICMBio, responsável pela produção de inúmeras expedições científicas, monitoramento e estratégias para conservação dos carnívoros brasileiros. Tarefa nada fácil para os biólogos e veterinários que trabalham no Centro, cuja trajetória profissional ultrapassa duas décadas de dedicação à ciência. Afinal, se conservar ‘animais dóceis’ como tartarugas, macacos e um sem numero de aves já não é fácil num país que de um modo geral visa desenvolvimento econômico e progresso a qualquer custo, imagine conservar onças malfadadas por alguns pecuaristas, ou raposas e lobos odiados por sitiantes com suas galinhas. Nem preciso dizer o quanto estes pesquisadores batalham por esclarecer que o problema da pecuária extensiva está longe de ser uma onça que eventualmente se alimenta do gado, ou então as galinhas que desaparecem na boca de um cachorro domestico qualquer, onde as raposas e lobos levam a culpa.

 

Placa da Esec na entrada da sede, com seus fieis guardadores. Foto: Adriano Gambarini
Placa da Esec na entrada da sede, com seus fieis guardadores. Foto: Adriano Gambarini
Já os analistas ambientais da Esec Taiamã também são biólogos e veterinários, que dedicam sua vida na conservação desta região cobiçada pelo ambicioso mercado de turismo de pesca. Certamente se eles não estivessem por aqui, o numero de peixes neste trecho do rio Paraguai já teria sido consideravelmente reduzido, sem contar nas inúmeras onças cevadas pelos guias de pesca como infelizes animais de circo…

Enfim, o fato é que o trabalho que estou agora documentando está sendo realizado por pesquisadores que estão na estrada da conservação há duas décadas ou mais, e que eu tenho a honra de conhecer e documentar suas pesquisas durante todo este tempo, e posso dizer com conhecimento de causa que o trabalho é realmente sério. Ou então, jamais usaria a fotografia, algo tão sagrado pra mim, como ferramenta para divulgar o que não acredito.

Como ainda não conseguimos satisfazer nossa ansiedade cada vez maior (e espero que vocês estejam tão ansiosos quanto nós) compartilho agora um pouco deste maravilhoso cenário ‘cenográfico’, enquanto me preparo para uma nova checagem que acontecerá daqui uns minutos.

Clique nas imagens para ampliá-las

Vitória-régias flutuam nas águas do Rio Paraguai.
Um imponente Tachã sempre avisa a todos, sobre todos. Camalotes imperam nas águas das baías. 
Jacaré do Pantanal e seu velho olhar de soslaio… Frango d’agua pequeno.
Nem mesmo as capivaras escapam da ‘sem-vergonhice’ das mutucas.  
O exótico Arapapa impõe seu penacho num curioso display. Uma tranqüila ariranha pesca durante vários minutos à nossa frente.
Enquanto isto, a biguatinga insiste em esticar seu pescoço…

Leia dos relatos dos dias 01 e 02 da expedição a Taiamã, a terra das onças

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