Natural de Corupá, em Santa Catarina, o engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, 55 anos, já publicou centenas de trabalhos científicos e 14 livros sobre plantas. São títulos como: Árvores Brasileiras, em dois volumes, Plantas Ornamentais no Brasil, Plantas Medicinais no Brasil e Árvores Exóticas no Brasil, entre outros. Obras técnicas que muita gente compra como livros de arte. Com elas, Lorenzi conseguiu o que poucos autores consagrados conseguem no Brasil: viver do que publica.
São livros feitos em sua própria editora, a Plantarum, e lançados quase sem publicidade. Mas emplacam vendas de até 150.000 exemplares. O Instituto Plantarum é uma instituição privada, foi fundada em 1981 por Lorenzi. Além de sustentá-lo, ela patrocina dezenas de expedições botânicas pelo Brasil. E é taxada pela receita, como uma empresa qualquer, deixando nos cofres públicos cerca de R$ 1 milhão por ano em impostos.
Nas expedições de Lorenzi, são explorados os mais diferentes ecossistemas brasileiros. No centro de pesquisa, em Nova Odessa, interior de São Paulo, além de laboratório e uma bem equipada biblioteca de taxonomia vegetal, há um jardim botânico de 8 hectares, com mais de 4 mil espécies vivas, e um herbário com cerca de 20 mil exsicatas.
Lorenzi, que foi lavrador até os 17 anos, quando resolveu começar a estudar, acaba de lançar o livro Palmeiras Brasileiras e Exóticas Cultivadas. E se prepara para distribuir em breve o terceiro volume de Árvores Brasileiras, além de Árvores Frutíferas no Brasil e Plantas Alimentares Alternativas.
Neste especial, as espécies de palmeiras brasileiras mais ameaçadas de extinção.
Pertencentes à família botânica Arecaceae (Palmae), as palmeiras são típicas das regiões tropicais. No mundo há cerca de 2.600 espécies, de formas e tamanhos bastante variados, desde poucos centímetros até mais de 50 metros de altura. No Brasil existem cerca de 210 espécies nativas, algumas amplamente distribuídas e até ultrapassando suas fronteiras, enquanto outras encontradas apenas em áreas muito restritas. Estas últimas, sendo naturalmente raras, correm muito mais riscos de desaparecer se não tiverem atrativos conhecidos que justifiquem o seu cultivo.
Das 210 espécies brasileiras, apenas pouco mais de meia dúzia são atualmente cultivadas. Em função da rápida destruição dos seus ecossistemas naturais, cerca de 11 espécies de palmeiras correm sério risco de extinção e duas já podem ser consideradas extintas do território brasileiro. Uma delas, Trithrinax schyzophylla, ainda pode ser encontrada em estado nativo no território paraguaio. A outra, Butia leptospatha, não teve a mesma sorte. Coletada uma única vez no Brasil em 1936 e descrita em 1940, nunca mais foi encontrada em seu habitat natural no sul do Mato Grosso do Sul, uma vez que toda a vegetação do cerrado onde ela ocorria foi virtualmente varrida da região. Não há registro da existência de nenhum exemplar cultivado desta espécie em qualquer parte do mundo.
Mais informações sobre estas espécies podem ser obtidas no livro “Palmeiras Brasileiras e Exóticas Cultivadas” de Harri Lorenzi et. al., que está sendo lançado pelo Instituto Plantarum, fone: (19) 3466-5587.
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