O Eco+ | Edição #311 | setembro/2026
27 de setembro de 2026
“Toda vez que chove fico em pânico”, comenta Mariane Friedrich, que no período das enchentes de 2024 morava no bairro Sarandi, em Porto Alegre, um dos mais afetados da capital. Desde as enchentes, uma mudança no tempo pode ser suficiente para trazer de volta memórias de Mariane. A casa pode ter sido limpa, os móveis substituídos e a rotina reconstruída, mas retomar a vida depois de uma catástrofe não significa recuperar a sensação de segurança. A repórter Mariana Dawas conversou com a psicóloga Sheila Cardoso, que acompanhou pessoas afetadas pelo desastre para falar da mobilização que gerou o Projeto de Lei 6151/2025, de autoria dos deputados Pompeo de Mattos (PDT) e Fernanda Melchionna (PSOL), que propõe uma Política Nacional de Saúde Mental Climática e prevê ações de atenção psicossocial antes, durante e depois de eventos climáticos extremos. Apesar de atualmente o Ministério da Saúde já reconhecer que eventos climáticos extremos podem causar sofrimento psicológico, ainda falta uma política estruturante para acompanhar todo o ciclo do desastre, desde a preparação das equipes e das comunidades, passando pelo atendimento durante a emergência e pela continuidade do cuidado na fase de reconstrução.
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O colunista de ((o))eco Carlos Bocuhy analisa o discurso proferido pelo presidente Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrido na terça-feira. Para Bocuhy, o presidente acertou em frisar a grave crise do multilateralismo e do enfraquecimento da ONU, que tem falhado em conter a lógica da força, mas faltou falar de outra falha do multilateralismo, a do fracasso em estabelecer uma relação de paz com a natureza. “As duas crises estão profundamente conectadas. Guerras não acontecem em um vazio ecológico. Elas destroem cidades, sistemas de abastecimento de água e saneamento, áreas agrícolas, florestas e infraestruturas energéticas. Contaminam solos e rios, provocam deslocamentos populacionais e deixam passivos ambientais que podem permanecer durante décadas. Muito depois de silenciadas as armas, seus efeitos continuam inscritos nos territórios”, argumentou.
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Quando uma onça-pintada mata um bezerro nas proximidades de uma Unidade de Conservação, alguém atende o produtor, ouve o que aconteceu e avalia a situação. O profissional que discute formas de reduzir novas perdas e lida com o medo, a raiva ou a frustração, também lida com a invisibilidade do seu trabalho, mas ele é primordial para a redução de conflitos envolvendo a fauna silvestre. Nesta semana, os especialistas Silvio Marchini, Maria Augusta de M. Guimarães, Paloma Alcázar García, Thiago Reginato e Aline Kotz discutiram, em análise publicada em ((o))eco, sobre essa tarefa que muitas vezes não tem formação específica, mas que é um trabalho contínuo para a conservação, de interface entre fauna, pessoas e instituições, “ajudando a criar e sustentar as condições para a coexistência”, defendem.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Quando a chuva vira gatilho: projeto propõe política nacional de saúde mental climática
A paz com a natureza será a garantia da paz entre os povos
Quem faz a coexistência entre pessoas e fauna silvestre acontecer?
· Conservação no Mundo ·
Jardineiro indignado. “Às vezes, o ritmo das mudanças deixa você desesperado, porque é muito lento. Mas, quando você para, olha para trás e pensa em tudo o que conseguimos desde os anos 1970 e 1980 até hoje, percebe que vale a pena. E não há outro caminho: é preciso continuar lutando. Encontre as brechas na burocracia e avance por elas”, diz José Truda Palazzo Jr. A história da luta e da vida do coordenador de desenvolvimento institucional do Instituto Baleia Jubarte – um dos mais ferrenhos defensores dos oceanos e das baleias no ambientalismo brasileiro – foi tema de reportagem do site Earth Hope. E sempre acompanhado de um inconfundível chapéu de palha. [Earth Hope]
Recuperação. Prados de ervas marinhas na baía de Studland, em Dorset, no Reino Unido, apresentaram recuperação significativa após a instalação de sistemas de ancoragem ecológicos, que evitam o arraste de âncoras tradicionais pelo fundo do mar. Segundo estudo citado pelo The Guardian, entre 2021 e 2025, os danos provocados pelas âncoras diminuíram 94% nas áreas onde os novos equipamentos foram instalados. A recuperação do habitat também foi acompanhada pela presença de cavalos-marinhos e outras espécies marinhas. A experiência é considerada uma alternativa para reduzir os impactos da navegação recreativa sobre ecossistemas costeiros. [The Guardian]
· Dicas Culturais ·
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A Natureza da Conversa #1 – Como o Brasil pode aproveitar a transição ecológica da China
Apresentado pelo jornalista Alexandre Mansur, estreou esta semana o podcast ‘A Natureza da Conversa’, espaço de diálogo sobre desenvolvimento sustentável, economia e meio ambiente, reunindo diferentes perspectivas sobre os caminhos possíveis para enfrentar as múltiplas crises ambientais. Na estreia, o tema é a transformação profunda no modelo produtivo da China, que vem investindo massivamente na transição para uma agricultura regenerativa e orgânica. Para este tema, Mansur conversa com André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), sobre como a mudança de postura da maior parceira comercial do Brasil impacta diretamente o agronegócio brasileiro.
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Chico Mendes – crime e castigo | Zuenir Ventura
Nesta semana, faleceu o jornalista Zuenir Ventura, aos 95 anos. O escritor, que ocupava uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), cobriu a morte do líder seringueiro Chico Mendes, ocorrida em dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre e não apenas escreveu o principal livro sobre Chico Mendes como ajudou a proteger a principal testemunha do crime, o adolescente Genésio. Ventura assumiu sua tutela e o levou para morar com sua família no Rio de Janeiro. A apuração rendeu o premiado livro “Chico Mendes — Crime e castigo”, que relembramos nesta edição.
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Especial Eleições: o país diante de uma encruzilhada ambiental | O Assunto
Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista André Trigueiro, editor do programa Cidade e Soluções da GloboNews. Especialista na cobertura ambiental, Trigueiro comenta as propostas (e a falta delas) dos candidatos nesta pauta. Também neste episódio você ouvirá trechos das entrevistas que o produtor Marco Antonio Martins conduziu com os especialistas Suely Araújo, Ricardo Abramovay, Mercedes Bustamante e Natalie Unterstell sobre a pauta ambiental.





