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Em São Paulo, ciclovia do Rio Pinheiros é expandida

Ciclovia entre avenida e a margem do rio é ampliada em 4,8 km. Novo trecho foi inaugurado nesta sexta-feira. Obra divide ciclistas.

Redação ((o))eco ·
14 de fevereiro de 2012 · 10 anos atrás

Foi aberto nesta sexta-feira, 12 de fevereiro, o novo trecho da ciclovia do Rio Pinheiros, em São Paulo. Com 4,8 km, o percurso liga as estações Vila Olímpia e Cidade Universitária, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), e aumenta a extensão da rota original, que agora tem 18,8 km. Além de acessos nas duas estações citadas, a ciclovia conta com mais três acessos: um na estação Santo Amaro, um na Avenida Miguel Yunes e um na estação Jurubatuba. Instalada entre a margem do rio e o conjunto de avenidas conhecido como Marginal Pinheiros, a ciclovia foi construída ao lado dos trilhos do trem. Grades de proteção foram colocadas cercando todo o percurso e a sinalização foi feita com uma tinta especial, composta com pó de vidro – que, se por um lado diminui o risco de as derrapagens comuns no trecho anterior se repetirem, por outro faz com que óculos escuros se tornem imprescindíveis durante o dia. As partículas brilham intensamente até mesmo em dias nublados.

Vista do novo ponto de acesso da estação Cidade Universitária. Foto: Paula Aftimus

No primeiro fim de semana após a abertura, a via ficou repleta de ciclistas. A obra, no entanto, não é consenso entre quem defende e sonha com cidades mais amigáveis para bicicletas e pessoas. Entre os principais críticos do projeto está o educador Arturo Alcorta, um dos mais experientes cicloativistas de São Paulo. O criador da Escola de Bicicleta critica a priorização de investimentos em uma obra isolada dos bairros em seu blog. “Há nesta ciclovia do Pinheiros a questão do alto custo de implantação. O que está implantado lá custou muito e não deve parar por ai. O custo mais pesado ainda virá com as pontes de acesso, estas sim dinheiro pesado, muito pesado. A meu ver, antes desta ciclovia de uso quase que exclusivo para lazer, deveria ser implantado uma rede de caminhos internos nos bairros na escala do Centro Expandido, mais até Santo Amaro numa ponta, e até Penha noutra pelo menos”, criticou, lembrando de projetos anteriores criando uma rede cicloviária aproveitando a planície em que corre o rio em um trajeto semelhante ao em que hoje funcionam nos fins de semana e feriados as Ciclofaixas de Lazer.

No texto de apresentação da CPTM, em que é feita a promessa de ampliação até a estação Villa-Lobos, não há menção do custo da obra.

Da maneira como foi planejada, a ciclovia deve realmente atrair mais atletas e famílias nos fins de semana do que ser utilizada como um eixo cicloviário útil para quem se desloca de bicicleta. Em Londres, na Inglaterra, e demais cidades em que foram feitos planejamentos cicloviários abrangendo toda área urbana, trabalha-se com o conceito de cicloavenidas, rotas exclusivas integradas à cidade e desenhadas para comportar o crescente número de ciclistas. Pela localização (veja no mapa abaixo), este novo trecho poderia ser um ponto importante de apoio para quem trabalha na região e se desloca de bicicleta. O número de acessos limitados, porém, diminui a possibilidade de que o caminho seja utilizado como percurso diário.

Atrair mais gente para as margens do rio, mesmo que sejam atletas, ou famílias buscando lazer nos fins de semana, porém, não deixa de ser importante. Em vez de motorizados soltando fumaça levando gente apressada incapaz de observar o rio, a margem é ocupada por pessoas. Passa a ser possível conviver com o rio, ver as capivaras, sentir a dimensão do Pinheiros, olhar a vegetação que resiste à poluição. E ter uma dimensão melhor de quão cretino é lançar tanto plástico na água. E de quão desastroso pode ser seguir asfaltando as margens dos rios da cidade para ampliar avenidas.

Lixo retirado do rio armazenado ao lado do novo trecho da ciclovia

Pedalando devagar na ciclovia, dá para ver tudo em detalhes. Parar, olhar, sentir o cheiro, pensar.

Garrafas de plástico, sujeira, pedaços de pneu, embalagens diversas amontoados

Vale pensar sobre a ciclovia nova. Pensar bastante.

Vale questionar e acompanhar de maneira ativa os gastos com a obra, assim como questionar alternativas.

Neste momento, é melhor concentrar esforços para a instalação das ciclorrotas por toda cidade, priorizando a integração dos ciclistas com os bairros e estimulando o uso não apenas segregado para lazer? Ou incentivar mais gente a pedalar, mesmo que de fim de semana em espaços segregados, não deixa de ser um jeito de acelerar as mudanças que acontecerão na cidade?

Qual nosso horizonte?

 
Por gentileza, deixe sua opinião sobre a nova ciclovia e futuras expansões nos comentários.

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