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“Uma verdadeira jararaca”

Diferente do apelido que sogras recebem de genros e noras insatisfeitos, o homenageado da semana é, de fato, um animal peçonhento.

Redação ((o))eco ·
7 de novembro de 2013 · 8 anos atrás

[i]Bothrops jararaca[/i], também conhecida como jararaca-verdadeira ou jararaca-da-mata. Foto: Alberto Rossettini
[i]Bothrops jararaca[/i], também conhecida como jararaca-verdadeira ou jararaca-da-mata. Foto: Alberto Rossettini

A jararaca é o nome comum dos répteis escamados pertencentes ao género Bothrops, engloba 47 espécies de serpentes, 20 das quais são encontradas no Brasil. Suas características variam fortemente, especialmente quanto à coloração e padrões das escamas e quanto à ação de seus venenos. A jararaca-comum (Bothrops jararaca) é uma das espécies de serpentes venenosas endêmicas do Brasil (ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul) e regiões do Paraguai e Argentina.

Também é conhecida pelos nomes de jararaca-do-campo, jararaca-do-cerrado, jararaca-dormideira, jararaca-preguiçosa e jararaca-verdadeira, seu nome científico é derivado do tupi, uma junção das palavras “yarará” e “ca”, o que significa “cobra grande”. Pode atingir até 1,6 metro de comprimento. Esbelta, seu corpo tem escamas marrons e manchas triangulares escuras, com faixas horizontais pretas atrás do olhos. O dorso é pálido e a língua é negra. A íris é de um dourado esverdeado com reticulações ligeiramente mais escuras.

A espécie habita em decíduos de florestas tropicais e cerrados, bem como as florestas subtropicais, em ambientes úmidos, como beira de rios e córregos, onde também se encontram suas presas mais comuns: pequenos roedores, rãs, sapos e mesmo outros répteis (lagartos de pequeno porte). De hábitos noturnos, prefere áreas abertas com cobertura vegetal nas proximidades e, por isso, é encontrada com maior frequência em áreas rurais, embora possam também surgir em zonas urbanas, onde a alimentação é farta.

As fêmeas são ovovivíparas, produzindo cerca de 20 ovos de cada vez, sempre no início da estação das chuvas. Após horas do nascimento, as pequenas serpentes já estão aptas a caçar, fazendo uso de sua cauda de cor amarelada clara para chamar atenção de suas presas em potencial. Por ser tão abundante na sua área de ocorrência, a Bothrops jararaca é frequentemente responsável por acidentes ofídicos (picadas de cobra).

O veneno da jararaca comum é altamente letal para animais e seres humanos. Os sintomas são dor e inchaço no local da picada, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento pelos orifícios da picada; sangramentos em gengivas, pela pele e na urina. Podem ainda surgir complicações como infecção e necrose na região da picada ou insuficiência renal. Contra estes efeitos, o antídoto correto é o soro antibotrópico, específico para picadas de jararacas.

Embora assustador e letal, por outro lado, este veneno pode ter fins benéficos: deu origem a medicamentos anti-hipertensivos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina, que são utilizados para o tratamento de alguns tipos de hipertensão e de insuficiência cardíaca. Outra enzima derivada do veneno é utilizada como medicamento anti-hemorrágico. Esses exemplos mostram que a conservação das serpentes venenosas brasileiras é importante também pelo seu potencial farmacêutico.

Por ser comum, a B. jararaca não está incluída em listas de extinção, mas outras 2 espécies de jararacas, a Bothrops pirajai e a B. alcatraz, estão incluídas como ameaçadas tanto pelo ICMBio, quanto pela Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN. Outra espécie, a B. insularis, é classificada pela IUCN como criticamente ameaçada.

 

 

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