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Um céu de sapinhos minúsculos e coloridos na Mata Atlântica

Estudo realizado na região Sul do Brasil identificou 7 novas espécies, das quais apenas uma foi encontrada dentro de uma área protegida.

Vandré Fonseca ·
5 de junho de 2015 · 7 anos atrás

Este é o [i]Brachycephalus mariaeterezae[/i], nomeado em homenagem à Maria Teresa Jorge Pádua, pelas suas iniciativas de conservação no país. Foto: Luiz Fernando Ribeiro
Este é o [i]Brachycephalus mariaeterezae[/i], nomeado em homenagem à Maria Teresa Jorge Pádua, pelas suas iniciativas de conservação no país. Foto: Luiz Fernando Ribeiro

No alto das montanhas da Mata Atlântica, no Sul do Brasil, vive uma variedade ainda indefinida de pequenos habitantes. São sapinhos do gênero Brachycephalus, com tamanhos de 0,6 a 1 cm de comprimento, cheios de cores, e exclusivos deste bioma, tão rico em diversidade quanto ameaçado. Sete novas espécies deste gênero acabam de ser apresentados ao mundo e pesquisadores acreditam que nos próximos anos pelo menos mais dez devem ser descritas.

O nome de uma das novas espécies, Brachycephalus mariaeterezae, homenageia Maria Tereza Jorge Pádua, na área ambiental, uma das personalidades mais destacadas do Brasil, e também colunista de ((o))eco. Outra espécie, a Brachycephalus boticario, homenageou a Fundação Grupo Boticário, um dos apoiadores da pesquisa e parceira de ((o))eco no projeto WikiParques.

Em um artigo publicado na edição desta quinta-feira (4 de junho) na revista científica on-line Peer J, de acesso livre, um grupo de brasileiros apresentou a descrição das espécies, encontradas nos estados do Paraná e Santa Catarina, entre 800 e 1.200 metros acima do nível do mar. Estas espécies se diferenciam entre elas e outras do gênero, que apresenta grande endemismo, pelas cores e rugosidade em partes do corpo. Antes desse trabalho, haviam sido descritas 21 espécies desse gênero, mais da metade nos últimos 15 anos.

Ainda desprotegidos

“Estamos trabalhando juntamente com órgãos estaduais e federais para buscar a criação de reservas para assegurar a preservação dessas espécies em longo prazo”

“Nós já conhecíamos algumas das espécies do gênero antes deste estudo. O que fizemos então foi procurar outras regiões montanhosas que apresentassem características climáticas e de vegetação parecidas”, afirma Marcio Pie, que além de atuar no trabalho de campo, contribuiu com análises e na redação do paper. “Com isso, conseguimos encontrar não só as espécies do estudo, mas também outras que estão no processo de serem descritas”.

Pode parecer fácil, mas não é. A região escolhida para os estudos fica em uma região de montanhas de difícil acesso na Serra do Mar, dos 1.800 metros. De acordo com Márcio Pie, a grande dificuldade foi o cansaço. “As trilhas para os cumes levam de três a oito horas de caminhada íngreme para chegar ao topo”, conta. Um esforço que teve a sua recompensa. “A parte boa é poder conciliar a pesquisa científica com uma atividade que nos deixou um pouco mais em forma”, respondeu com humor às perguntas enviadas por e-mail.

Mas o céu dos sapinhos tem sofrido pressão em geral por plantações de pinus. Além disso, afirma Pie, a maior parte das espécies novas não estão em Unidades de Conservação. “Estamos trabalhando juntamente com órgãos estaduais e federais para buscar a criação de reservas para assegurar a preservação dessas espécies em longo prazo”, afirma Márcio Pie. Outra ameaça é a sensibilidade dos anfíbios às mudanças climáticas.

 

Conheça os sapinhos

 

 

Saiba mais
Artigo: Seven new microendemic species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from southern Brazil. Luiz F. Ribeiro, Marcos R. Bornschein, Ricardo Belmonte-Lopes, Carina R. Firkowski, Sergio A.A. Morato, Marcio R. Pie.

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