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A primeira semana das ararinhas-azuis no Brasil

Aves chegaram estressadas, mas já se adaptaram aos recintos onde ficarão isoladas até o fim da quarentena. Comem, bebem e não há sinais aparentes de doença

Carolina Lisboa ·
10 de março de 2020 · 2 anos atrás
Ararinhas na quarentena. Crédito ACTP.

Hoje, 10 de março, faz uma semana que as 52 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) vindas da Alemanha estão no Centro de Reprodução e Reintrodução em Curaçá-BA, para quarentena e adaptação. Após atravessar o oceano em um voo fretado, seguem bem e aparentemente saudáveis no recinto criado especialmente para mantê-las isoladas durante a quarentena.

A repatriação das 52 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) provenientes da instituição alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP) faz parte das ações que compõem o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul (PAN Ararinha-azul), cujo objetivo é realizar a reintrodução da espécie em sua área de ocorrência original até 2024.

As aves chegaram no Brasil em um voo fretado na terça-feira (03), desembarcaram no Aeroporto Senador Nilo Coelho em Petrolina (PE) e seguiram para o Centro de Reprodução e Reintrodução das Ararinhas-Azuis em Curaçá, na Bahia.

De acordo com Ugo Vercillo, analista ambiental da Coordenação de Ações Integradas para Conservação de Espécies do Instituto Chico Mendes (ICMBio), os animais chegaram estressados pelo manuseio e cansados pelo longo voo. “Assim que chegaram no quarentenário, foram retirados das caixas e as anilhas e chips foram verificados pela equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Em seguida, foram colocados nos recintos onde permanecerão até o fim da quarentena”, disse.

Recintos das ararinhas azuis no Centro de Reprodução e Reintrodução de Curaça sendo finalizado. Foto: ICMBio/Divulgação.

Vercillo explicou que, para auxiliar na adaptação das 28 fêmeas e 24 machos com idades entre um e 26 anos, está sendo oferecida a mesma dieta fornecida na Alemanha. A quarentena dura cerca de 21 dias. A equipe responsável pelo cuidado com as aves é formada por técnicos brasileiros e estrangeiros, sendo que o responsável técnico é um veterinário brasileiro. “Não houve mortalidades e todos estão se alimentando e bebendo água e se encontram tranquilos em seus recintos”, informou Vercillo. “Foi uma operação bem-sucedida! Nesta semana receberemos nova visita do MAPA, que colherá as amostras para os testes finais da quarentena”, comemorou o analista.

O Centro que recebeu as ararinhas possui uma área coberta de 2.400 m² e  estrutura especial para o manejo das aves. A primeira soltura de indivíduos na natureza está prevista para 2021. Antes disso, os animais passarão por processo de adaptação e treinamento para viverem em vida livre. “Os animais estarão em ambiente isolado e, antes de qualquer soltura, passarão por novas baterias de exames para garantir que estarão sadias para viverem em vida livre”, informou Vercillo. Elas serão reintroduzidas no território das duas Unidades de Conservação criadas em junho de 2018, o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul (com 29,2 mil hectares) e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul (com 90,6 mil hectares), destinadas à proteção da espécie e conservação do bioma Caatinga.

A ararinha-azul é considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. O último indivíduo selvagem desapareceu da Caatinga baiana em outubro de 2000, o que levou a espécie a ser classificada como Criticamente em Perigo (CR), possivelmente Extinta na Natureza (EW). Hoje existem cerca de 170 indivíduos em cativeiro, distribuídos em diversos países como Brasil, Alemanha, Espanha e Cingapura.

 

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  • Carolina Lisboa

    Jornalista, bióloga e doutora em Ecologia pela UFRN. Repórter com interesse na cobertura e divulgação científica sobre meio ambiente.

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