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Nova espécie de mini sapo é descoberta e já está ameaçada

Descoberto em Santa Catarina, pequeno anfíbio com cerca de 1 centímetro de comprimento é vulnerável às mudanças climáticas e alterações no habitat.

Daniele Bragança ·
18 de agosto de 2015 · 6 anos atrás
Brachycephalus quiririensis foi descoberto nas montanhas da na Serra do Quiriri, em Santa Catarina. Crédito: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário.
Brachycephalus quiririensis foi descoberto nas montanhas da na Serra do Quiriri, em Santa Catarina. Crédito: Luiz Fernando Ribeiro-Fundação Grupo Boticário.

Após dois meses da descoberta e divulgação de 7 novas espécies de sapinhos do gênero Brachycephalus exclusivos da Mata Atlântica, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná apresentam outro achado: o minúsculo Brachycephalus quiririensis, encontrado na Serra do Quiriri, em Santa Catarina, descrito na quinta-feira passada (06) na revista científica PeerJ.

A nova espécie é endêmica da região montanhosa onde foi descoberta, mas mudanças no habitat e no clima da região ameaçam sua existência. O Brachycephalus quiririensis necessita do ambiente frio e úmido para sobreviver, mas a área sofre pressão por conta das plantações de pinus e da pecuária.

“A espécie é bastante sensível às mudanças do clima e pode já estar ameaçada de extinção”, diz Márcio Pie, pesquisador associado do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos responsáveis pela descoberta.

Assim como as outras espécies do gênero, o Brachycephalus quiririensis é um nanico que mede pouco mais de um centímetro. Sua característica mais marcante e que o diferencia das demais é a coloração: possui corpo marrom com tonalidade esverdeada e uma faixa grossa de cor laranja. “Ainda não temos confirmação, mas acreditamos que esse tom forte seja para indicar aos predadores que ela é venenosa e, assim, se proteger”, explica Pie.

Com vocês, o nanico Brachycephalus quiririensis. Crédito: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário
Com vocês, o nanico Brachycephalus quiririensis. Crédito: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

A vulnerabilidade não é particular dessa espécie. Os anfíbios de maneira geral são considerados bons bioindicadores justo por serem sensíveis às alterações no ambiente. A ausência de anfíbios pode indicar desequilíbrio em um ecossistema.

A primeira medida para se proteger uma espécie é conhecê-la. Esse é o objetivo do projeto da ONG Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, que funciona com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. A pesquisa busca verificar a diversidade de espécies de anfíbios que vivem em montanhas, desde o sul de São Paulo até o norte catarinense.

 

 

Saiba Mais
Artigo científico: A new species of Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae) from the Quiriri mountain range of southern Brazil

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 6

  1. Gabriel Canto diz:

    Andando pelas montanhas da cidade de Nova Friburgo-RJ eu vi muitos destes sapinhos, muitos mesmo. Pra quem tiver interesse em pesquisar sobre eles procure pela trilha do garrafão que fica perto do Caledônia. Foi lá que vi muitos desses


  2. Isaac diz:

    Achei no Canto da Parede da Minha casa é bonitinho e ligeiro


  3. Renato diz:

    do que eles se alimentam?


  4. Tenho desenvolvido meu projeto de mestrado na Serra do Quiriri, e o que vejo é muitas plantações de Pinus e mesmo Eucalyptus tomando o espaço da vegetação nativa, tanto na porção florestal quanto campestre. Fora as queimadas praticadas pelos moradores que assolam a região. Essa região é repleta de endemismos de plantas, mas carece de qualquer proteção legal, apenas conta com uma APA na região dos campos, também conhecida como Área de Proteção Aparente… Contudo o problema dos campos vem das áreas de Pinus instaladas sobre florestas. Complicado? Se o problema é conhecido, a solução é evidente, o que falta é vontade! Como diria o nosso molusco anencefalópode ex-governante: "O país não pode ficar a serviço de uma perereca".


    1. Júnior diz:

      Fazendo uma caminhada pelo sertão de Rio Claro, eu achei um parecido com esse da foto, porém ele é mais alaranjado. Deve ter 1 centímetro.


  5. paulo diz:

    Os descobridores deste mini sapinho e o instituto de pesquisa, já conversaram com a FATMA de Santa catarina! Já conversaram com o conselho estadual de meio ambiente!

    Qual será ação para proteger este anfibio raro! Diagnóstico temos, qual será o tratamento?