Salada Verde

Impunidade impera no Pará

Estudo divulgado pelo Imazon mostra que apenas 14% dos infratores de crimes ambientais são punidos no Pará. Situação é generalizada em demais estados, diz pesquisador.

Salada Verde ·
16 de junho de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da amazônia (Imazon) divulgou ontem (15) um estudo sobre a eficiência da responsabilização judicial de crimes em áreas protegidas federais no Pará. O resultado não poderia ser mais desanimador: apenas 14% dos infratores são punidos ou o caso chega ao seu desfecho e, por causa da lentidão da justiça, 15,5% dos processos avaliados prescreveram. Entre os motivos para tal cenário, a demora na apuração, conclusão do inquérito e nos trâmites da Justiça Federal estão entre os principais entraves.

Segundo Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon e principal ator do trabalho, a situação do Pará é apenas um exemplo do que ocorre em outros estados. “Na etapa de realização da pesquisa, buscamos informações gerais da justiça e verificamos que o congestionamento ocorre em vários estados. É uma situação generalizada”, diz.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Como o processo de punição envolve diferentes instância, cada uma com sua parcela de atraso, como o uso de muito papel ao invés sistemas digitais, a solução para o problema só virá a médio ou longo prazo. Com isso, a sugestão do Imazon é investir na prevenção. “O governo precisa urgentemente fazer funcionar a prevenção, principalmente considerando as obras do PAC, que provavelmente trarão ocupações irregulares. E não basta fazer uma ação anual, é preciso vigilância contínua”, sugere Barreto.

Segundo o pesquisador, a Operação Arco de Fogo realizada em Rondônia em 2008 é um exemplo de como as coisas podem funcionar. Em Cujubi, o poder municipal disponibilizou seu serviço de justiça móvel para atuar junto com Ibama. As infrações verificadas na ocasião foram punidas em apenas duas semanas. Para ler o estudo completo, clique aqui.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
14 de maio de 2026

Incêndios já queimaram 150 milhões de hectares de vegetação no planeta em 2026

Área queimada entre janeiro e abril já é maior do que todo estado do Amazonas; Mudança climática impulsiona destruição pelo fogo em nível global, mostra análise

Salada Verde
14 de maio de 2026

MMA lança painel para monitorar agrotóxicos em recursos hídricos

Plataforma pública reúne dados sobre contaminação da água e potenciais impactos de pesticidas sobre a vida aquática no país

Notícias
14 de maio de 2026

Leis fundiárias na Amazônia facilitam grilagem de terras públicas, aponta estudo

Pesquisa do Imazon identificou brechas em leis fundiárias que permitem regularizar ocupações recentes, inclusive em áreas com passivos ambientais na Amazônia

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.