Todos sabem que a hidrelétrica de Belo Monte (PA), como as em construção no rio Madeira, é um desastre ambiental. Apesar de todas as dúvidas sobre sua capacidade de geração firme e outros aspectos técnicos, a obra está sendo vendida como a salvação do setor elétrico brasileiro, com as alcoviteiras das empreiteiras interessadas entoando a batida ameaça de que ou se constroi a usina ou serão construídas termoelétricas ou nucleares. Como se essas não fossem mais limpas e menos impactantes que hidrelétricas amazônicas.
A corrente dominante na política energética brasileira, que parece só saber fazer hidrelétricas e a contragosto começa a abrir espaço para a geração eólica, lembra o setor musical da Bahia, que não consegue superar o axé music e impõe este castigo ao país, embora haja muita coisa de valor produzida por lá.
É uma pena que por aqui não se cogite em testar seriamente novas turbinas e geradores que prometem aproveitar o confiável poder das marés. O litoral entre o Amapá e o Maranhão, com oscilações de maré de mais de quatro metros que causam as famosas pororocas, poderia ser local de teste para algumas destas tecnologias nascentes.
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