Salada Verde

A culpa do financiador

Movimentos contrários a Belo Monte alertam que BNDES pode ser coresponsabilizado por danos socioambientais na Amazônia.

Salada Verde ·
23 de março de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Movimentos sociais de Altamira e organizações não-governamentais com atuação nacional contrárias à obra da hidrelétrica de Belo Monte entregam nesta quarta (24) um alerta ao estatal BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco já aventou que pretende investir pesado no empreendimento, orçado inicialmente em 19 bilhões de reais e ligado ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A “notificação extrajudicial” adverte o banco sobre a precariedade da licença ambiental expedida pelo Ibama em 1º de fevereiro. Além do BNDES, todos os demais financiadores também deverão ser notificados.

“A licença não oferece nenhuma garantia de que a obra é viável do ponto de vista socioambiental, uma vez que a avaliação técnica do órgão, que afirmou que ‘não há elementos suficientes para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento’, foi desconsiderada no ato do licenciamento. Nesse sentido, o financiamento pelo banco seria ilegal, e se a obra vier a ser construída, ele será, de acordo com a legislação brasileira, responsabilizado pelos prejuízos socioambientais que não foram previstos”, dizem em nota entidades como Movimento Xingu Vivo para Sempre, Instituto Socioambiental, Plataforma BNDES e Amigos da Terra Amazônia Brasileira. Segundo elas, o BNDES e outros órgãos de governo podem ser cobrados se todos os impactos sobre populações, fauna e flora apontados nos pareceres técnicos do Ibama realmente ocorrerem. 

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Um dos impactos mais preocupantes e desconsiderado na concessão política da licença de Belo Monte está ligado às incertezas sobre a qualidade da água após a construção da megabarragem. É alta a probabilidade de que a água ao longo de 144 quilômetros do rio Xingu  fique “podre” e abaixo dos parâmetros mínimos exigidos pela legislação federal. Outras ameaças têm foco nos mais de cem quilômetros da Volta Grande do Xingu, onde centenas de famílias podem ser condenadas a uma seca em plena Amazônia pelo baixo volume de água que, conforme a licença, será oferecido após o erguimento da barragem.

“O problema é que a licença contrariou a decisão da equipe técnica do Ibama, que afirma que a quantidade de água que a Eletrobrás propõe liberar para esse trecho – e que foi aceita pela diretoria do órgão – é insuficiente para manter o modo de vida dessas pessoas, pois, com as alterações profundas no ciclo natural, não haveria mais como pescar ou navegar”, diz a nota.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
31 de julho de 2026

Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental

Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação

Salada Verde
31 de julho de 2026

Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre

Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos

Colunas
31 de julho de 2026

A Era do Fogo: o alerta que vem da França

Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.