Movimentos sociais de Altamira e organizações não-governamentais com atuação nacional contrárias à obra da hidrelétrica de Belo Monte entregam nesta quarta (24) um alerta ao estatal BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco já aventou que pretende investir pesado no empreendimento, orçado inicialmente em 19 bilhões de reais e ligado ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A “notificação extrajudicial” adverte o banco sobre a precariedade da licença ambiental expedida pelo Ibama em 1º de fevereiro. Além do BNDES, todos os demais financiadores também deverão ser notificados.
“A licença não oferece nenhuma garantia de que a obra é viável do ponto de vista socioambiental, uma vez que a avaliação técnica do órgão, que afirmou que ‘não há elementos suficientes para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento’, foi desconsiderada no ato do licenciamento. Nesse sentido, o financiamento pelo banco seria ilegal, e se a obra vier a ser construída, ele será, de acordo com a legislação brasileira, responsabilizado pelos prejuízos socioambientais que não foram previstos”, dizem em nota entidades como Movimento Xingu Vivo para Sempre, Instituto Socioambiental, Plataforma BNDES e Amigos da Terra Amazônia Brasileira. Segundo elas, o BNDES e outros órgãos de governo podem ser cobrados se todos os impactos sobre populações, fauna e flora apontados nos pareceres técnicos do Ibama realmente ocorrerem.
Um dos impactos mais preocupantes e desconsiderado na concessão política da licença de Belo Monte está ligado às incertezas sobre a qualidade da água após a construção da megabarragem. É alta a probabilidade de que a água ao longo de 144 quilômetros do rio Xingu fique “podre” e abaixo dos parâmetros mínimos exigidos pela legislação federal. Outras ameaças têm foco nos mais de cem quilômetros da Volta Grande do Xingu, onde centenas de famílias podem ser condenadas a uma seca em plena Amazônia pelo baixo volume de água que, conforme a licença, será oferecido após o erguimento da barragem.
“O problema é que a licença contrariou a decisão da equipe técnica do Ibama, que afirma que a quantidade de água que a Eletrobrás propõe liberar para esse trecho – e que foi aceita pela diretoria do órgão – é insuficiente para manter o modo de vida dessas pessoas, pois, com as alterações profundas no ciclo natural, não haveria mais como pescar ou navegar”, diz a nota.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Brasil tem mais de 3,7 mil plantas ameaçadas de extinção
Lista atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente alerta para aumento do grau de ameaça do pau-brasil e para possível extinção de duas plantas da Mata Atlântica →
Proteger a biodiversidade exige conectar territórios
Brasil levou a COP 17 da Biodiversidade proposta que reforça necessidade de investir em corredores de biodiversidade e redes ecológicas que não se limitem às áreas protegidas →
MMA abre inscrições para sete vagas da sociedade civil na Comissão Nacional de Biodiversidade
Organizações ambientalistas podem se inscrever até 8 de novembro para participar da eleição de representantes no colegiado durante o biênio 2027–2028 →

