O Eco+ | Edição #302 | julho/2026
26 de julho de 2026
Entrou em vigor mais uma taxação americana nos produtos brasileiros. Para justificar a medida, os EUA também citaram o desmatamento na Amazônia e, embora, por enquanto, a carne brasileira tenha ficado na lista de isenção para importação, especialistas ouvidos por ((o))eco afirmam que a pressão ambiental ainda vigora e que será preciso adequar cada vez mais o setor às exigências do mercado externo. E toda a pressão passa, necessariamente, por resolver os gargalos em torno da rastreabilidade da pecuária e na comprovação de que a pecuária brasileira não continua sendo a maior responsável pelo desmatamento do maior bioma do país, como foi no passado e ainda é no presente. Para a pesquisadora do Imazon, Camila Trigueiro, as empresas precisam fazer o dever de casa para se salvaguardarem de eventuais novos riscos de sanções e boicotes internacionais. “A maioria dos problemas que o produtor está enfrentando no momento tem a ver com a falta de garantias sobre a origem do animal. É preciso que todos os envolvidos nessa pauta – Governo, indústria e setor produtivo – façam um esforço conjunto para ter garantias ambientais e sanitárias para manter os mercados internacionais”, argumenta Trigueiro, em conversa com a jornalista Alice Martins Morais.
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Todos os anos, milhares de aves percorrem distâncias continentais até chegar ao litoral brasileiro. Mas essa jornada não termina quando elas pousam. O fotógrafo e documentarista Adriano Gambarini acompanhou o trabalho de pesquisadores da ONG Aquasis na proteção dessas espécies, mostrando como ciência, comunidades locais e cooperação internacional se unem para conservar as aves migratórias e os ecossistemas costeiros dos quais elas dependem. A organização, que atua há 32 anos, nasceu em berço cearense e voltada para os peixes-bois-marinhos. Com a atenção já na costa, passou a trabalhar também para garantir a conservação de outros personagens litorâneos ameaçados: as aves migratórias, dando origem ao projeto, em 2003. A repórter Duda Menegassi contou esta semana as histórias e bastidores da criação do documentário de 17 minutos, que está disponível no Vimeo de Adriano Gambarini.
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Depois de sete dias de expectativa em uma reserva da Mata Atlântica baiana, pesquisadores conseguiram capturar um filhote de harpia para instalar um transmissor de GPS. O fotógrafo João Marcos Rosa acompanhou essa jornada e conta, em texto e fotos, sobre como o monitoramento, inédito para um indivíduo dessa idade no bioma, deve revelar como a maior ave de rapina do Brasil se desloca por uma paisagem fragmentada. O objetivo é gerar informações fundamentais para orientar estratégias de conservação da espécie. “O sul da Bahia abriga os principais refúgios com reprodução confirmada de harpia na Mata Atlântica. A população é pequena, ainda pouco conhecida e distribuída entre áreas protegidas e remanescentes florestais nem sempre conectados, como a RPPN Estação Veracel, os Parques Nacionais do Pau-Brasil, do Monte Pascoal, do Descobrimento e da Serra das Lontras, a Reserva Biológica de Una e a RPPN Serra Bonita”, destaca o Dr. Áureo Banhos, coordenador do Projeto Harpia na Mata Atlântica.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Carne brasileira fica livre de tarifa dos EUA apesar de disputa ambiental
A grande jornada das aves migratórias – e dos pesquisadores que lutam para conservá-las
À espera de um filhote de harpia
· Conservação no Mundo ·
IA em tudo. O avanço das ferramentas de inteligência artificial está criando um novo desafio para a ciência cidadã: imagens manipuladas de aves começam a contaminar plataformas como iNaturalist e Macaulay Library, amplamente utilizadas por pesquisadores para monitorar a distribuição das espécies. Em artigo publicado na Nature, cientistas alertam que fotos editadas por IA já resultaram em registros falsos, como o de uma ave norte-americana supostamente avistada no Brasil após uma imagem ser “melhorada” por um algoritmo. Embora os casos identificados ainda sejam poucos, especialistas temem que o problema comprometa a confiabilidade dos bancos de dados. “Em plataformas como a nossa, pessoas comuns publicam informações que um cientista provavelmente nunca conseguiria obter em grande escala. É também quase como um sensor do que está acontecendo na Terra em tempo real: as plantas estão florescendo mais cedo? As espécies estão migrando para o norte à medida que o clima aquece? Quanto mais soubermos sobre a localização das espécies, mais bem informados poderemos estar como conservacionistas. Mas a informação precisa ser precisa”, disse Tony Iwane, diretor de suporte à comunidade do iNaturalist e coautor do artigo publicado na *Nature*. [The Guardian]
Fugindo da mineração. Autoridades de Uganda iniciaram a transferência de 12 girafas-núbias, uma subespécie ameaçada, do Murchison Falls National Park para a Ajai Wildlife Reserve. O objetivo é criar uma nova população viável, diminuir a pressão sobre uma área afetada pela exploração de petróleo e impulsionar a recuperação ecológica da reserva, que também vem recebendo outras espécies. Estima-se que 40% das reservas de petróleo de Uganda estejam localizadas na área das Cataratas Murchison e dentro do parque. Nos últimos meses, houve um aumento nas atividades de perfuração de petróleo, incluindo a movimentação de máquinas pesadas pelo parque nacional, apesar de anos de oposição de ambientalistas. [Associated Press]
· Dicas Culturais ·
• Para ver •
Eenonai: Conservação e manejo na casa dos animais | Documentário
A produção retrata o sistema milenar de manejo da fauna praticado pelo povo indígena Baniwa na região do Rio Ayari, no Alto Rio Negro (AM) e destaca a transmissão intergeracional de saberes tradicionais, o uso de tecnologias ancestrais (como a zarabatana e venenos naturais) e a prática de caça sustentável baseada na partilha e no respeito aos limites ambientais. O conjunto de práticas descrito integra o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, patrimônio cultural reconhecido pelo Iphan, evidenciando o papel fundamental dos Baniwa na preservação da floresta e na dispersão de sementes.
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Mineração, genealogia do desastre: O extrativismo na América como origem da modernidade | Horacio Machado Aráoz
A obra de Horacio Machado Aráoz propõe uma interpretação sobre as origens da modernidade e do capitalismo a partir da exploração mineral em Potosí, na atual Bolívia, no século XVI. O autor argumenta que a mineração e a colonização da América estão na base das transformações políticas, econômicas e sociais que moldaram o mundo contemporâneo, deslocando o foco das explicações centradas na Europa.
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Natureza: para pensar a ecologia | Serge Moscovici
A obra reúne reflexões sobre a relação entre sociedade e natureza e discute a ecologia como forma de compreender a história humana e o planeta. Ao longo do livro, o autor examina como as transformações provocadas pelas atividades humanas afetam a Terra e defende que a história da humanidade também é a história de seu ambiente. A obra oferece uma perspectiva para pensar os desafios ambientais e as relações entre desenvolvimento, sociedade e natureza.






