Completar 200 anos fez bem ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ele remoçou muito, às vésperas do aniversário, sem perder a textura dos velhos troncos e outros trunfos inalienáveis de sua idade. Teve prédios históricos restaurados. As alamedas do arboreto foram calçadas com uma terra batida, que agora poupa aos visitantes o desgosto de tropeçar em casos de entulho. E várias casas foram recuperadas na justiça, invertendo o longo ciclo de invasões que, há tempos, vinha instalando no parque quase de dois mil moradores.
Com ele, rejuvenesceu a própria cidade. Ou, pelo menos, o pedaço da Zona Sul a que o Jardim Botânico deu nome. Hoje o bairro tem ruas que se incorporaram ao roteiro turístico do Rio de Janeiro simplesmente por darem vista para suas grades. A seu redor, o Rio de Janeiro parece mais jovem, porque mais parecido com o que foi há um, dois ou mais séculos.
Dentro do arboreto, então, nem se fala. Nele continuam reconhecíveis, ao vivo e em cores, as fotografias em branco e preto tiradas há mais de cem anos por pioneiros como Marc Ferrez ou Leuzinger, nos mesmos bambuzais, pontes e aléias de palmeiras, que atravessaram de pé as décadas de bota-abaixo, para o avanço da cidade.
No Jardim Botânico, cariocas e forasteiros ainda podem passear em cenários do século 19. Recém-casados, debutantes e aspirantes a modelo podem posar para as câmeras. sem medo de que a desordem urbana do século 21 leve embora o equipamento, como provavelmente ocorreria em outras áreas públicas. E lá também as pessoas que vivem na cidade sentindo-se meio degredadas da floresta nativa podem fazer de conta que fugiram para o mato, em dias de folga que não deixem brechas para viagens.
É o que faço, às vezes, a pretexto de experimentar máquinas ou equipamentos mas, na prática, comportando-se como qualquer turista se comporta no Jardim Botânico, o laboratório a céu aberto de uma instituição de pesquisa científica que serve para educar até o olho vadio dos leigos em botânica. As fotografias desta coleção, feitas com certa indolência em recentes fins-de-semana, estão reunidas aqui para que o Eco não deixe passar em branco o bicentenário do Jardim Botânico.
Leia mais sobre o Jardim Botânico na reportagem Pai de Todos.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Agro quer prioridade em norma que veda embargo a desmatamento ilegal
CNA publica lista de propostas legislativas que entidade tem interesse em ver avançar no Congresso. Várias delas compõem o Pacote da Destruição →
Governo institui política para acolher animais resgatados
Nova legislação estabelece responsabilidades para governos e empreendedores no resgate e manejo de animais domésticos e silvestres em emergências ambientais →
((o))eco relança a Campanha de Membros para sustentar jornalismo ambiental aberto e independente
Programa amplia participação de leitores e busca sustentar produção independente sem adoção de paywall →


