Salada Verde

Inventário levanta emissões dos poluentes dioxina e furano

Ministério do Meio Ambiente elaborará plano de controle das duas substâncias que são cancerígenas e podem provocar problemas neurológicos.

Redação ((o))eco ·
22 de maio de 2013 · 13 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Ministra Izabella Teixeira lança o Inventário Nacional de Fontes e Estimativas de Emissões de Dioxinas e Furanos, na sede do ICMBio. Foto: José Cruz/ABr.
Ministra Izabella Teixeira lança o Inventário Nacional de Fontes e Estimativas de Emissões de Dioxinas e Furanos, na sede do ICMBio. Foto: José Cruz/ABr.

O Ministério do Meio Ambiente lançou ontem (21) os dados de emissões das substâncias dioxina e furano, resultantes da queima de resíduos e da produção de metais ferrosos e não ferrosos. O objetivo agora é elaborar um plano de redução dos dois poluentes, cujos componentes causam problemas hormonais, neurológicos e cancerígenos.

Em entrevista coletiva, a ministra Izabella Teixeira ressaltou a necessidade de priorizar a questão das emissões dos poluentes: “É o marco de um novo momento na qualidade ambiental. O tema tem de voltar para a agenda ambiental e dialogar com o setor produtivo”, declarou.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O levantamento revela que as duas substâncias são geradas principalmente pela produção de metais ferrosos e não-ferrosos (38,2%), pela queima a céu aberto (22,8%) e pela produção de químicos e bens de consumo (17,5%).

Por esse motivo, não foi novidade o estado de São Paulo aparecer em primeiro colocado no ranking estadual de emissões dos dois poluentes analisados, responsável por 28,9% das emissões totais. Maior produtor de minério de ferro do país (responde por 35% do total da mineração brasileira), Minas Gerais aparece em segundo, com 12, 9%. O Rio aparece em seguida, com 10,1% da emissão total.

Juntos, os três estados contribuem com mais da metade da liberação total dos compostos tóxicos e é por isso que o inventário apresenta o Sudeste como a principal região de liberação dos componentes químicos: com 58,8% do total. Em segundo lugar vem a região Sul, com 12,4%, seguida pelo Nordeste (10,9%), Centro-Oeste (9,6%) e Norte, com apenas 8,4%.

Dioxinas e Furanos fazem parte de um grupo de substâncias conhecidas como “Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) produzidos não intencionalmente” e, como o próprio nome sugere, não são produzidas intencionalmente para serem utilizados como produto final. “São substâncias produzidas como consequência de outros processos, mas que têm um dos mais altos graus de toxicidade, ou seja, pequenas quantidades dessas substâncias são capazes de produzir grandes estragos”, explicou Letícia Carvalho, diretora de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

A produção do Inventário Nacional de Fontes e Estimativas de Emissões de Dioxinas e Furanos foi coordenada pelo Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria do Ministério do Meio Ambiente, com a colaboração de outras instituições e será usado como base para a elaboração de regras e acordos para o controle dessas substâncias pelos vários setores da cadeia produtiva.

O Brasil é signatário da Convenção de Estocolmo (ou Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes), que visa eliminar a produção e uso de algumas substâncias tóxicas. A Convenção não prevê o banimento das dioxinas e dos furanos, mas recomenda o controle dessas substâncias.

“Todos os países signatários terão de fazer os inventários e começamos o processo aqui. O caminho está desenhado, a estratégia está definida e os recursos estão alocados. Esse é o primeiro inventário, com toda a identificação de fontes e os outros inventários de outros POPs estão sendo concluídos”, disse Izabella Teixeira.
 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de abril de 2026

Economista sugere criação de ‘pix climático’ para famílias afetadas por enchentes e deslizamentos

Proposta surgiu durante encontro promovido pela ong RioAgora.org, que reuniu especialistas para debater propostas para os candidatos ao governo do RJ

Reportagens
3 de abril de 2026

O que está em jogo com a crise da moratória da soja

STF convoca audiência de conciliação em abril, em meio ao enfraquecimento do acordo que ajudou a conter o desmatamento na Amazônia nas últimas duas décadas

Salada Verde
3 de abril de 2026

Plano de bioeconomia aposta em metas ambiciosas até 2035

MMA publica resolução da Comissão Nacional de Bioeconomia que define objetivos para crédito, restauração e uso sustentável da biodiversidade

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.