De Prof.Dr. Fernando Dias de Avila Pires
Foi-se o tempo em que as autoridades expressavam-se corretamente em português e preocupavam-se em publicar textos revisados por alguém que, pelo menos, conhecia as nuances de nossa língua.
No meu tempo de colégio, um dos xingamentos mais pesados era a referência à cona da mãe de alguém – excetuados os juízes de futebol que, dizia-se, tinham duas mães: uma em casa e outra na boca dos torcedores. Ignoro a origem etimológica. Talvez venha da palavra grega que deu origem a concha, que em espanhol chulo tem o mesmo sentido. Cona consta do dicionário do Aurélio, com seu significado indecoroso.
Nas redações escolares, cacófatos eram considerados erros graves e os professores citavam os mais comuns e as exceções literárias famosas como a do soneto de Camões Alma minha gentil que te partiste, tão cedo desta vida descontente…
Pois bem, temos hoje um conselho nacional de meio ambiente cuja sigla é CONAMA e outro, exatamente o de regulamentação publicitária, CONAR. O significado ou intenção do verbo é evidente. Recentemente foi criado um outro conselho, também na área de meio ambiente, cuja sigla CHIBIO desperta a índole gozadora de qualquer nordestino, ou leitor de Jorge Amado, ou ainda, de quem se dá ao trabalho de consultar o dicionário do Houaiss.
Naquela época, escrevia-se concelho, a quem se daria o conselho de olhar o dicionário, que se apelidava, então, de pai dos burros.
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