Fotografia

Paixão ao primeiro clique de Felipe Dumont

Perto de casa, na Reserva do Taim, o gaúcho Felipe Dumont descobriu a forma mais prazerosa de praticar a fotografia: meter o pé na estrada e enfiar-se no mato.

Alexandre Sant´Anna ·
18 de março de 2005 · 21 anos atrás

O fotógrafo Felipe Dumont, de 56 anos, é um gaúcho de Rio Grande, no extremo sul do Brasil. Sua relação com a fotografia começou ainda na adolescência, quando ganhou do tio em 1965 uma câmera Rio 400, a primeira “aponte e dispare” fabricada no país, lançada em comemoração ao quarto centenário do Rio de Janeiro. Depois dela, Felipe não conseguiu mais parar de fotografar. O vírus da fotografia foi tão devastador que ele se viu “obrigado” a abandonar um emprego burocrático para fazer do hobby profissão.

“Chutou o balde” e começou a fotografar em estúdio tudo o que aparecia pela frente, de macarrão a sanduíche, com alguns retratos no recheio. Até que um dia foi convidado para fazer um calendário, com o tema natureza. Pensou em viajar para a África ou mesmo o Amazonas. Mas a verba de produção era curtíssima e ele teve que se contentar em fotografar perto de casa mesmo.

E perto de casa estava uma das nossas maiores reservas naturais: a Reserva Ecológica do Taim, um pântano de 30 mil hectares, para onde migram milhares de aves vindas de todos os cantos, inclusive do Alaska. Foi paixão ao primeiro clique. Felipe hoje se sente em casa quando está encharcado, com frio, esperando aquela luz, que vai iluminar aquela garça, que está ali esperando ser fotografada por ele. Vendeu o carro da família, comprou um 4×4, macacão de borracha, mochila, trocou a pesada 6×7 por uma 35mm e foi à luta.

Seu primeiro trabalho como fotógrafo de natureza foi o calendário “Taim – Uma Reserva de Vida”. Depois, fotografou o livro “Taim”, publicação da ONG NEMA – Núcleo de Estudos e Monitoramento Ambiental. Fez várias exposições e os outros calendários. Atualmente, finaliza um livro sobre o Brasil Meridional, sempre tendo como tema a natureza, claro.

Ele transita livremente entre a fotografia digital e analógica. Trabalha com um corpo Nikon F100 para filmes 35 mm., uma Mamiya 6×7 para filmes 120 e um corpo Nikon D100 para fotos digitais, com lentes de 15 a 600 mm – ou seja, da grande angular extrema à teleobjetiva longa. Usa tripé Manfrotto. Sem falar num jipe “Vitara 4×4, que me leva onde quero”.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
20 de julho de 2026

O vencedor da Copa do Mundo das Áreas Protegidas

Não basta o número de unidades, o tamanho importa mais. Confira qual país do mundial de 2026 mais se destacou na conservação das suas riquezas naturais

Notícias
20 de julho de 2026

Cientistas descobrem espécie de macaco que passou anos “escondida” na floresta congolesa

Primata, que já é considerado ameaçado de extinção por pesquisadores, escapou por décadas do radar de expedições científicas na República Democrática do Congo

Análises
20 de julho de 2026

O oceano que nos sustenta e o que está em jogo quando o coral branqueia

A conservação do oceano depende de gestores públicos e cidadãos que muitas vezes vivem longe do mar, mas cujas escolhas afetam diretamente os ecossistemas marinhos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.