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Imazon: desmatamento dispara em setembro

Aumento do corte raso foi de 290% em relação ao mesmo mês de 2013. Mesmo com fiscalização reforçada, desmate continua alto na região.

Daniele Bragança ·
20 de outubro de 2014 · 8 anos atrás

deflagrada em 2009, a Operação Boi Pirata II retirou fazendas ilegais de dentro da Floresta nacional do Jamanxim. Cinco anos depois, unidade de conservação ainda sofre com desmatamento e invasões de terra. Foto: Nelson Feitosa/Ascom Ibama.
deflagrada em 2009, a Operação Boi Pirata II retirou fazendas ilegais de dentro da Floresta nacional do Jamanxim. Cinco anos depois, unidade de conservação ainda sofre com desmatamento e invasões de terra. Foto: Nelson Feitosa/Ascom Ibama.

Uma operação de guerra foi montada em agosto para desmantelar uma quadrilha de grileiros acusados de desmatar áreas públicas no Pará. A operação Castanheira envolveu o Ibama, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal. O alvo principal eram criminosos que atuavam na região de Novo progresso, no oeste do Pará. O resultado dos estragos feitos por essa e outras quadrilhas pode ser mensurado agora pelos satélites. De acordo com o Imazon, o desmate em setembro na Amazônia Legal somou 402 quilômetros quadrados, um aumento de 290% em relação a setembro de 2013 quando o desmatamento somou 103 quilômetros quadrados. Em um mês o equivalente a quase um terço da cidade do Rio de Janeiro, que ocupa uma área de 1.200 km², deixaram de ser floresta.

A Floresta Nacional de Jamanxin, localizada em Novo Progresso, perdeu 21,2 km² e ficou em primeiro lugar no ranking de Unidades de Conservação da Amazônia mais desmatadas. Já o município de Novo Progresso perdeu 30,1 km² e ficou em segundo lugar na lista dos municípios críticos, atrás apenas de Nova Mamoré, em Rondônia, que perdeu 53,1 km².

Quase sem nuvens, foi possível monitorar 93% da área florestal na Amazônia Legal. Rondônia liderou o ranking da destruição, responsável por desmatar 33% do total desmatado no período. Pará (23%), Mato Grosso (18%) e Amazonas (12%)  ficaram respectivamente em segundo, terceiro e quarto lugar.

Governo só divulgará dados em Novembro

O sistema Deter é um sistema que gera alertas diários e pode ser usado para produzir relatórios mês a mês. Entretanto, seus resultados chegam a atrasar até 3 meses. A demora na divulgação gera reclamações dos ambientalistas e denúncias de retenção de números ruins com fins eleitoreiros. As especulações dominam o noticiário.  

O último resultado divulgado do Deter foi referente ao mês de julho de 2014 e, consolidado, apontou alta de 9% no desmatamento acumulado em um ano: comparação do período agosto/2013 a julho/2014 contra os 12 meses anteriores, agosto/2012 a julho/2013).

Em entrevista a GloboNews, a ministra Izabella Teixeira afirmou que os dados só serão divulgados em novembro, para não atrapalhar as equipes de fiscalização, entre elas as que estão em Novo Progresso tentando conter a destruição que avança em cima da Floresta Nacional de Jamanxim.

O único calendário de divulgação do desmatamento que o governo costuma respeitar é o  referente a divulgação dos resultados preliminares do PRODES (Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite). O número do PRODES é mais preciso e costuma ser divulgado durante a COP anual do clima. A tradição começou na COP de Bali (COP-13), ainda durante a gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente.

 

 

Saiba Mais
Boletim do Desmatamento do SAD – Setembro 2014 – PDF produzido pelo Imazon

Leia Também
Desmatamento na Amazônia: Repique do ano passado deve se manter em 2014
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  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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