Notícias

Novas espécies de esponjas calcárias descobertas no Brasil

Estudos do Laboratório de Biologia Porífera da UFRJ foram realizados com exemplares encontrados no litoral de três estados brasileiros.

Vandré Fonseca ·
5 de novembro de 2014 · 11 anos atrás

[i]Clathrina aurea[/i]. Foto: Eduardo Hajdu
[i]Clathrina aurea[/i]. Foto: Eduardo Hajdu

Quatorze espécies novas foram descritas e outras ainda podem surgir. Os pesquisadores acreditavam estar diante de uma coleção de 200 exemplares de esponjas calcárias, mas quando começaram a trabalhar viram que o número era bem maior. No final, chegaram a 382 exemplares analisados e cerca de 25% da coleção ainda não havia sido estudada.

Eles deixaram de lado, por enquanto, coletas feitas no litoral do Rio de Janeiro, que já é bem mais conhecido pelos pesquisadores do que espécimes de outros estados. São exemplares da subclasse Calcaronea, mais numerosa entre as esponjas calcárias.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A bióloga Fernanda Azevedo, responsável pela pesquisa, conta que a expectativa era descobrir pouco mais de uma dezena de novas espécies durante o estudo. O número ultrapassou as expectativas.

Coletas que haviam sido feitas em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, trouxeram nove espécies novas. Na Ilha do Arvoredo, em Santa Catarina, foram seis novas esponjas calcárias, duas delas que vivem também em águas paulistas. Uma espécie que antes era desconhecida é compartilhada por São Paulo e Rio de Janeiro.

O trabalho ajuda a mostrar um pouco de uma diversidade pouco conhecida. Fernanda explica que as amostragens de esponjas no litoral brasileiro são bastante restritas. “As amostras não são suficientes no gradiente geográfico nem de profundidade”, afirma. “Elas contêm coletas de águas rasas, de até 20 ou 30 metros de profundidade e são muito fragmentadas ao longo do litoral”, completa. A intenção do trabalho é produzir um mapa de distribuição das espécies de esponjas calcárias, que pode ajudar a definir áreas prioritárias para a conservação.

O estudo, que teve financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, encontrou também duas espécies não nativas do Brasil. Os pesquisadores aguardam a publicação de dois artigos científicos para descrever as novas espécies e outro sobre as áreas de endemismo. A equipe já enviou também uma carta ao ICMBio, para ajudar no plano de manejo da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo.

 

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas

 

 

Leia Também
Esponjas calcárias: novas espécies à vista
Ceriantos no arvoredo
Vídeo destaca a importância das UCs marinhas

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Podcast
1 de maio de 2026

Entrando no Clima #73 – Santa Marta e a força da coalizão

Sem acordo global, Conferência Global para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis aposta no multilateralismo para tirar o petróleo do centro da economia

Salada Verde
30 de abril de 2026

Maior evento de observação de aves do mundo contará com etapa no norte do Paraná

Global Big Day promove a observação de aves como ferramenta para conservação; movimento no Brasil ganha força com o turismo de natureza na região norte do Paraná

Reportagens
30 de abril de 2026

Santa Marta encerra conferência com avanço político e pressão por tratado dos fósseis

Sem acordos vinculantes, conferência articula coalizão internacional e pressiona por saída dos combustíveis fósseis

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.