Reportagens

Marina Silva critica complacência do Governo com novo Código

Em coletiva de imprensa, a ex-ministra criticou a aprovação do novo Código Florestal e falou sobre as ameaças que ele representa ao combate do desmatamento.

Flávia Moraes ·
7 de dezembro de 2011 · 15 anos atrás
Marina Silva. Fotos: Flávia Moraes
A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deu sua opinião na 17a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP17) sobre a aprovação do Código Florestal ontem no Senado. Ela afirma que o atual cenário é de incerteza com relação ao desmatamento e que a nova lei deve, sim, ameaçar as metas de redução de gases estufa prometidas na Cúpula de Copenhague, para serem cumpridas até 2020. “O objetivo de reduzir de 36% a 38% as emissões deve ser afetado, pois 70% das emissões no país são oriundas do desmatamento”, declara.

                   + Delegação brasileira comemora queda do desmatamento em Durban
                   + Governo estima queda de 11% na taxa oficial de desmatamento

Marina também acredita que a posição de liderança do país na COP17 pode ser afetada, já que o Brasil é exemplo de preservação das florestas e biodiversidade para vários países florestados. “Corremos o risco de ter o nosso discurso sobre emissões e preservação invalidado na COP, principalmente se o desmatamento voltar a crescer”, explica.

Embora muito se fale que o Código aprovado foi um meio termo entre o que as duas partes queriam, ambientalistas de um lado e ruralistas de outro, a senadora não concorda. Para ela, só uma parte saiu comemorando o resultado.

 

Ao final do painel, Marina criticou mais uma vez o Governo e também a delegação brasileira que está em Durban, por terem comemorado os 11% de redução do desmatamento no último ano e acreditar que o novo Código Florestal não vai influenciar nisso nos próximos anos. “Me parece uma atitude de complacência dos nossos representantes com os erros cometidos [aprovação do Código]. Agora vamos aguardar o que a Câmara vai fazer e torcer para a presidenta Dilma vetar e cumprir a sua promessa de campanha: lutar contra o desmatamento”, encerra.

 

  • Flávia Moraes

    Jornalista, geógrafa e pesquisadora especializada em climatologia.

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