Os espeleólogos não gostaram nem um pouco do resultado da reunião de hoje com Maurício Mercadante, assessor da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes (ICMBio). Além de não terem participado da elaboração do polêmico decreto, que segundo eles e pesquisadores pode pôr em risco até oito em cada dez cavidades nacionais, o papo desta quinta aconteceu quase 20 dias após a sanção do texto pelo presidente Lula e serviu apenas para que o governo reforçasse seu apreço pela medida.
Sociedades de espeleólogos pediram a simples revogação do decreto, mas ouviram um redondo não dos dirigentes públicos. Aos primeiros foi oferecida a possibilidade de enviar, até 12 de dezembro, uma lista com sugestões de mudanças na legislação, mas não há a menor garantia de efeito positivo para a proteção das cavernas. Tudo terá que ser novamente encaminhado pelo MMA aos escaninhos da Casa Civil e Ministério de Minas e Energia.
Os governistas também abriram, gentilmente, espaço para que a turma das cavernas participasse da elaboração dos chamados “critérios de relevância”, com os quais serão apontadas as cavernas passíveis de destruição. Os espeleólogos deram o troco e não querem saber desse debate com democracia duvidosa e aos 45 minutos do segundo tempo. Os 60 dias oferecidos pelo decreto para a lapidação desses critérios se esgotam em 7 de janeiro de 2009. É consenso no próprio governo de que faltará prazo para tanto. “Os critérios acabarão sendo definidos por técnicos do governo”, disse Rômulo Mello.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Brasil tem mais de 3,7 mil plantas ameaçadas de extinção
Lista atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente alerta para aumento do grau de ameaça do pau-brasil e para possível extinção de duas plantas da Mata Atlântica →
Proteger a biodiversidade exige conectar territórios
Brasil levou a COP 17 da Biodiversidade proposta que reforça necessidade de investir em corredores de biodiversidade e redes ecológicas que não se limitem às áreas protegidas →
MMA abre inscrições para sete vagas da sociedade civil na Comissão Nacional de Biodiversidade
Organizações ambientalistas podem se inscrever até 8 de novembro para participar da eleição de representantes no colegiado durante o biênio 2027–2028 →


