O governo anunciou ontem o lançamento de mais um edital para concessão de florestas para manejo, na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no Pará. A disputa pública prevê a destinação de um terço dos 423 mil hectares da área protegida. Pelos planos governistas, os 140 mil hectares serão divididos em três lotes, de 91,6 mil hectares, 30 mil há e 18,7 hectares, onde serão permitidas exploração de produtos florestais, mineração e turismo, por até 40 anos.
O Ministério do Meio Ambiente espera que a concessão renda cerca de R$ 7 milhões ao ano, além de criar cerca de 2.500 empregos diretos e indiretos. Conforme nota oficial, o ministro Carlos Minc considera o manejo como a melhor maneira de se combater a extração ilegal de madeira, ampliando a oferta de produto legal. “É possível, necessário e é a melhor forma de combater o desmatamento”, disse.
Para reforçar o peso do manejo, Minc lembrou da Finlândia. Segundo ele, o país tem a mesma área florestal de cem anos atrás, realiza manejo florestal com corte seletivo de árvores, retirando apenas 2,5% da área por ano. Assim, haveria tempo para a recomposição natural das matas. As florestas geladas finlandesas, no entanto, é bem menos rica em biodiversidade do que a Amazônia.
Curiosamente, o Instituto Chico Mendes divulgou esta semana que grandes grupos de macacos ameaçados vivem nas florestas nacionas (Flonas) de Saracá-Taquera e do Tapajós, ambas no Pará. O cuxiú ou cuxiú-preto (Chiropotes satanas), espécie dada como extinta em algumas regiões, e o macaco-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus), cuja ocorrência está praticamente restrita ao sul do Rio Amazonas, foram encontrados em grandes grupos populacionais naquelas reservas. O primeiro, em Saracá-Taquera; o segundo, em Tapajós.
Conforme a pesquisa de doutorado de Pérsio Scavone de Andrade, pela Universidade de São Paulo, Saracá-Taquera tem poucos moradores e, apesar das 18 milhões de toneladas de bauxita retiradas todo ano pela Mineradora Rio do Norte, a região apresenta maior número de primatas do que o encontrado em Tapajós.
Outras áreas devem ser destinadas a manejo em breve, ao menos uma na área de influência da BR-163. A primeira concessão para manejo florestal aconteceu no início de 2008, na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. Mais informações aqui.
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