![]() |
O interesse da população pela preservação do mero (um peixe que está longe de pertencer a categoria dos simpáticos, como os golfinhos e as tartarugas) tem relação com o boom da pesca submarina, nas décadas de 70 e 80. Ilhéus se tornou conhecida e atraiu caçadores por causa da facilidade em se capturar o mero. “O peixe era morto por arpão, exemplares muito grandes, com mais de dois metros, e eram pendurados nas árvores da cidade”, lembra Harildon.
![]() |
A facilidade com a qual os mergulhadores com arpão matavam o mero tem relação aos hábitos desse animal que é tranquilo, isolado e territorialista. No verão (de dezembro a abril, em Ilhéus), o mero faz o que os biólogos chamam de agregações reprodutivas. E existe uma certa preferência pela área entre a Pedra de Ilhéus, Ilhéuzinho, Itaipinho, Itapitanga e Sororoca – agora parque municipal marinho. A região é próxima do estuário de três rios e tem formação de mangue, o berçário natural.
![]() |
A identidade da população com o peixe e a pressão popular levaram a prefeitura a estabelecer um rito de criação de unidade de conservação diferente. “Normalmente é feito um levantamento da área, depois estudos sobre as espécies do local”, conta o secretário Harildon. “Agora nesse caso, a decisão foi política, em resposta ao povo”, resume.
![]() |
Nem tudo é festa na cidade litorânea conhecida por sua época áurea no ciclo do cacau baiano. Um grande projeto que une o governo federal, estadual e municipal prevê a criação do Complexo Intermodal Porto Sul – uma grande obra de infraestrutura e logística com planos de construir um novo porto, um aeroporto, a Ferrovia Oeste Leste e as rodovias da região. No entanto, depois de EIA/Rima aprovado, notaram que o projeto passava próximo do parque marinho, conta o secretário Harildon Machado Ferreira. A descoberta dos impactos ambientais levou a transferência do projeto da Ponta da Tulha para a região de Aritaguá, mais longe dos recifes dos meros.
Saiba mais
![]() |
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Pantanal brasileiro perdeu cerca de 80% da água superficial em 40 anos, aponta pesquisa
Estudo inédito mostra que o bioma sofreu uma redução de cerca de 80% da água superficial desde 1985, comprometendo a biodiversidade e serviços ecossistêmicos essenciais →
Pesquisadora especialista em tamanduás morre em acidente aéreo no Pantanal
A alemã Lydia Möcklinghoff se dedicava há mais de 20 anos ao estudo do tamanduá-bandeira no Pantanal. Ela e o piloto morreram com queda de avião em Campo Grande →
Encontro com os Encantados de Olivença, na Bahia
O que começou como um passeio de bicicleta até Olivença terminou em uma imersão na cultura Tupinambá, entre arte, território, ancestralidade e luta por reconhecimento →








Gostaria de mais informações sobre a instrumento normativa. Onde os pontos de georreferenciamento da área não estão expostos.
Como a também a lei desse projeto.