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Aquecimento global e perda de habitat ameaçam rãs andinas

Estudo realizado por pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia (UN) revela que seis espécies serão levadas à extinção em pouco mais de três décadas

Vandré Fonseca ·
20 de janeiro de 2019 · 6 anos atrás
O aquecimento global somado ao avanço da agropecuária nos Andes Colombianos vai afetar o habitat de rãs endêmicas da região, até 2050. Foto: Willian Agudela Henriquez.

Manaus, AM — O aquecimento global somado ao avanço da agropecuária nos Andes Colombianos vai afetar o habitat de rãs endêmicas da região, até 2050. Os impactos não serão uniformes sobre as espécies, mas a previsão indica que, com poucas exceções, essas espécies vão perder pelo menos metade do ambiente em que vivem. E em alguns casos, essa perda de ambiente natural pode ser total.

As mudanças rápidas não deverão oferecer condições para adaptação das espécies. Com isso, o estudo prevê ainda que entre uma a seis espécies serão levadas à extinção, em pouco mais de três décadas, em regiões andinas da Colômbia, devido à perda de habitat. O estudo foi realizado pelo aluno de doutorado em Biologia da Universidade Nacional da Colômbia (UN), Willian Agudela Henriquez.

Ele analisou 30 espécies de rãs de quatro famílias diferentes, que representam as espécies encontradas nos páramos e nas florestas nevadas: Bufonidae (quatro espécies), Centrolenidae ou rãs-de-cristal (duas espécies), Craugastoridae ou rãs-de-chuva (22 espécies), que vivem nos bosques de neve, e Hylidae (duas espécies), cuja particularidade é que se encontram acima dos 1.000 metros de altitude.

Foram levados em conta cenários que apontam para um aumento de temperatura na região de 1,4º a 1,6º graus centígrados e perda de 14 a 15% de área de páramos e de 15 a 29% de florestas nevadas, devido a conversão da mata nativa em pasto ou cultivos agrícolas, até 2050.

As mudanças climáticas, com aumento da temperatura e mudanças no regime de chuvas, podem alterar a nebulosidade, um protetor natural contra os efeitos de raios ultravioletas. A perda de nebulosidade teria efeitos negativos sobre as primeiras etapas de desenvolvimento de muitas espécies de rãs, que estariam sujeitas a mudanças em seus microhabitats naturais, segundo o responsável pelo estudo.

“Drásticas mudanças de temperatura, além de secas prolongadas ou frios mais intensos do que o habitual, constituirão um desafio fisiológico para a sobrevivência das rãs!”, afirmou o Willian Agudela à agência de notícias da Universidade Nacional da Colômbia.

Em um cenário otimista, 80% das espécies devem perder metade do hábitat até 2050. Mas a tendência, segundo o estudo, que quase todas as rãs estudadas (96%) devem perder mais de 50% da área de ocorrência. O autor do estudo lembra as possíveis implicações da extinção de rãs para o controle natural de pragas e para a cadeia alimentar de espécies de morcegos, serpentes e outros predadores dos anuros.

*Com informações da Agência de Noticias UN

 

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