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Estudo demonstra diferença entre ambientes do lavrado em Roraima

Análise feita em parcelas do PPBio na capital do estado demonstrou que restrições, como a drenagem no solo, interferem na diversidade e riqueza de espécies na savana roraimense

Vandré Fonseca ·
31 de julho de 2017 · 4 anos atrás
Flores de espécies encontradas no lavrado de Roraima. Ambiente ainda não conta com nenhuma unidade de conservação para ser protegido. Foto: Reinaldo Imbrozio Barbosa.
Flores de espécies encontradas no lavrado de Roraima. Ambiente ainda não conta com nenhuma unidade de conservação para ser protegido. Foto: Reinaldo Imbrozio Barbosa.

Manaus, AM – Savanas, no Brasil, são cerrados. Em Roraima, lavrado. No estado mais ao norte do país, uma área predominantemente de vegetação aberta que atravessa as fronteiras da Guiana e Venezuela, revela mais uma vez sua riqueza e diversidade. Um estudo publicado em julho no Biodiversity Data Journal, de acesso aberto, mostra diferenças importantes entre dois ambientes encontrados nessa paisagem.

Uma equipe liderada pela professora da Universidade Federal de Roraima, Maria Aparecida de Moura Araújo, avaliou a influência das restrições impostas pela fertilidade, textura e drenagem do solo em duas diferentes áreas do lavrado, as que ficam embaixo e as que ficam acima d’água durante o período de cheia. A conclusão: são ambientes que abrigam riqueza e diversidade de espécies diferentes.

“Existem espécies lá dentro das áreas alagadas que não estão na área seca”, conta o ecólogo Reinaldo Imbrózio Barbosa, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Boa Vista (RR), que também assina o artigo. “Obviamente tem espécies que habitam os dois ambientes, mas que conseguem permanecer seis meses dentro d’água”

Foto: Reinaldo Imbrozio Barbosa.
Foto: Reinaldo Imbrozio Barbosa.

Foram analisadas 20 parcelas em dois módulos do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), do Ministério da Ciência e Tecnologia, na zona rural de Boa Vista, capital do estado. São áreas de lagos ou drenadas por pequenos cursos d’água. As matas ciliares dos rios maiores ficam foram do estudo. Foram encontradas 128 espécies de 34 grupos taxonômicos. É uma vegetação formada principalmente por gramíneas, algumas bem pequenas, mais perto dos pés do que dos olhos.

Reinaldo comemorou os resultados. Eles demonstram, segundo o pesquisador, que o lavrado é um ambiente rico. “As pessoas não se importam muito com o desmatamento na região, porque acham que é um mal menor do que derrubar a floresta”, lamenta o pesquisador. “Mas qualquer lugar do lavrado é uma área específica, com riqueza específica”, afirma.

Além de ser a maior savana amazônica, com 68,145 mil quilômetros quadrados (quase o tamanho da Irlanda), o lavrado de Roraima tem características únicas. Sofre mais a influência de alagações do que outras áreas abertas. Isso ocorre porque está em uma área baixa, geologicamente jovem, que está sofrendo soterramento. É uma região dominada por lagos, muitos sazonais, e pequenos igarapés, que transbordam.

Para os autores do estudo, são necessários mais investimentos para inventários florísticos no lavrado e diversificar as áreas de coletas. O lavrado é ameaçado principalmente pelo agronegócio. Um ambiente único, que até hoje não conta com a proteção legal de uma unidade de conservação.

 

Saiba Mais

Artigo: Araújo M, Rocha A, Miranda I, Barbosa R (2017) Hydro-edaphic conditions defining richness and species composition in savanna areas of the northern Brazilian Amazonia. Biodiversity Data Journal 5: e13829.

 

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