São Paulo, aquele estado com 20% da população e 30% do PIB brasileiros, mostra uma estatística inesperada. A área ocupada por vegetação natural no estado está aumentando e hoje chega a 17,5% do território paulista, ou cerca de 4,34 milhões de ha. Esta área é equivalente à que existia no início dos anos 1970 e mostra uma tendência que tem se mantido ao longo das últimas duas écadas. Embora as técnicas de sensoriamento remoto atuais sejam mais sensíveis e detectem áreas que antes não eram contabilizadas devido a seu pequeno tamanho, novo levantamento feito pelo Instituto Florestal de São Paulo mostra que cerca de 95 mil ha de vegetação nativa correspondem a florestas, cerrados e campos em regeneração que, desde 2001, substituíram áreas antes sob algum uso ou que haviam sido degradadas.
O aumento das áreas com vegetação natural se deve a uma eficiência da fiscalização e licenciamento ambientais, ao êxodo rural e consequente abandono de áreas marginais e à maior conscientização da população. Ajuda também o Ministério Público paulista ter atuado junto a setores, como o sucroalcooleiro, para que suas propriedades começassem a delimitar reservas legais e reconstituir áreas de preservação permanente.
A boa notícia deve ser temperada com o fato de que, especialmente no interior o Estado, muitos remanescentes são de pequeno porte e há muito a ser feito na reconstituição de corredores ecológicos e restauração de áreas ambientalmente sensíveis, como as APPs. Também persistem problemas como a destruição de florestas por assentamentos da reforma agrária e a ocupação de áreas de Mata Atlântica em regiões como a Serra do Mar e litoral, inclusive no interior de unidades de conservação.
No entanto, os fatos mostram que São Paulo está no caminho certo e deveria servir de exemplo para estados com governantes, como os brucutus de Santa Catarina, que acham que precisam desmatar mais para alavancar suas economias. A notícia foi publicada pela Revista Pesquisa Fapesp
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