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Periquito-cara-suja volta a se reproduzir na Serra da Ibiapaba após mais de um século

Nascimento de 43 filhotes no Parque Nacional de Ubajara indica avanço na reintrodução de אחת das aves mais ameaçadas do país

Karina Pinheiro ·
28 de maio de 2026
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O nascimento de 43 filhotes de periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, marca um raro avanço na conservação de uma das aves mais ameaçadas do Brasil. O registro, confirmado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), representa a retomada da reprodução da espécie na Serra da Ibiapaba, na divisa entre Ceará e Piauí, após mais de cem anos sem registros na região.

Endêmica do Ceará, a espécie, também conhecida como tiriba-de-peito-cinza, sofreu um colapso populacional ao longo do século passado, pressionada principalmente pela destruição de habitat e pela captura ilegal para o tráfico de animais silvestres. Hoje, o periquito-cara-suja figura entre as aves mais raras do país. O novo registro sugere que a estratégia de reintrodução conduzida pelo ICMBio, por meio do Parque Nacional de Ubajara e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), em parceria com a ONG Aquasis, começa a consolidar uma população reprodutiva viável.

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O projeto integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga e combina técnicas de manejo como translocação de indivíduos, ambientação em viveiros, soltura gradual, monitoramento permanente e instalação de caixas-ninho para estimular a reprodução. Segundo a equipe técnica, o nascimento dos filhotes demonstra não apenas adaptação ao ambiente, mas sinais concretos de estabelecimento da espécie em uma área de onde havia desaparecido.

Nesse cenário, o Parque Nacional de Ubajara cumpre papel central. A unidade federal protege remanescentes de mata úmida em meio ao semiárido, além de cavernas, nascentes e áreas estratégicas para a fauna regional. Em 2025, o parque recebeu cerca de 240 mil visitantes, figurando entre os dez parques nacionais mais visitados do país, uma visibilidade que também pode fortalecer ações de educação ambiental e sensibilização sobre a fauna ameaçada.

Para a chefia do parque, o resultado reforça a importância da continuidade de políticas públicas ambientais e da cooperação entre órgãos de conservação, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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