A confirmação de que o maior banco do mundo irá financiar a represa Gibe 3, o maior projeto de infraestrutura na Etiópia, gera preocupação internacional. O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) está fechando um contrato, previsto para dia 13 de maio, de 500 milhões de dólares com a Corporação Elétrica de Dongfang para a contrução das turbinas e aparelhos eletro-mecânicos da hidrelétrica. Embora o ICBC ainda não tenha anunciado o empréstimo publicamente, informações oficiais confirmam que o acordo entre as instituições foi assinado em julho. Diversos bancos internacionais públicos e privados fugiram do financiamento da Gibe 3, projeto que quebra leis da Etiópia e não é bem visto pela comunidade internacional. Ainda são incertas as razões para o envolvimento do ICBC no projeto.
O contrato para construção da represa foi concedido pelo governo da Etiópia em 2006 para a mega empresa Salini Costruttori. Violando a lei da Etiópia e sem seguros financeiros a construção começou no mesmo ano. Depois de quatro anos a construtora falhou ao tentar conseguir financiamento externo. Em julho, o Banco do Desenvolvimento Africano e o Banco de Investimento Europeu retiraram suas propostas de apoio ao projeto, junto com outras recusas da SACE (agência italiana de crédito) e da JP Morgan Chase. Os estudos de impactos ambientais e sociais da Gibe 3 foram finalizados apenas em 2009, mais de dois anos após o início da construção e fechamento do contrato.
Devido à preocupação sobre os impactos sobre o Lago Turkana, o Banco de Desenvolvimento Africano promoveu um estudo independente, conduzido pelo Dr. Sean Avery. Esse estudo confirmou que Gibe 3 iria reduzir a fluxo do rio Omo que deságua no lago Turkana, ameaçando a região de maior produção de peixes do lago. Outros estudos alertam para a diminuição do nível do lago em 12 metros, exaurindo seu reservatório. Porém, nenhum estudo possui um aprofundamento suficiente sobre a construção da represa. O impacto da hidrelétrica de 1,870 MW pode devastar o lago e a vida de mais de 300 mil indígenas que dependem de seus recursos para sobreviver. A severa degradação ajudaria a intensificar conflitos entre diferentes etnias, desestabilizando a já sensível área na fronteira da Etiópia, Kenya e Sudão. Ações judicias estão em andamento nos tribunais Kenianos contra a falha governamental na proteção do Lago Turkana e de suas comunidades.
Desde 2009 as comunidades do Lago Turkana evidenciam sua oposição à construção da represa de Gibe 3 por meio de protesto, petições, reuniões com autoridades governamentais e manifestações. Uma demonstração pública contrária o ICBC está planejada para dia 28 de setembro em Nairobi.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental
Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação →
Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre
Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos →
A Era do Fogo: o alerta que vem da França
Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência →
