Análises

Falta educação ambiental

Redação ((o))eco ·
17 de janeiro de 2008 · 18 anos atrás

De Paulo de Tarso Zuqui

Querida Maria Tereza,

Antes de mais nada parabéns pela clareza e oportunidade da sua abordagem dos temas. Pena que só agora conseguir ler seu artigo. Concordo plenamente com todos os pontos levantados e da necessidade de enfrentarmos a questão do controle de espécies invasoras e da carência das discussões chegarem ao grande público de forma a explicar o problema e as pessoas poderem se posicionar.

Faço, porém, um reparo sobre as notícias que vem sendo veiculadas quanto à garça em Noronha e o problema com os aviões. Há uma necessidade de reduzir o número de garças se elas estão causando esses problemas. Porém, creio que para tornar politicamente palatável a divulgação enfatiza que são garças africanas, estrangeiras, invasoras. Essa espécie é emblemática porque foi uma das primeiras em que conseguimos documentar sua expansão, natural, em escala do planeta. Há mais de 100 anos as primeiras garças vaqueiras chegaram ao Caribe e dali espalharam-se pelas Américas, desde o Canadá até o sul da Argentina e Chile. Alcançaram também várias ilhas oceânicas ao redor do mundo e sempre por suas próprias asas, colonizando algumas e sem sucesso em outras. Facilitamos essa expansão ao criarmos pastagens em áreas de florestas, dando-lhe habitat. De forma alguma podemos colocá-la ao lado dos gatos, ratos, teiús e mocós de Noronha, levados para lá voluntária ou involuntariamente. Aliás, ali são registrados indivíduos de várias espécies européias, africanas e asiáticas, geralmente migrantes de longo curso que atravessaram o Atlântico em tempestades. Algumas hoje compõem a fauna de Noronha rotineiramente.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Também me parece que outra justificativa usada para o controle seria a pretensa pressão contra o lagarto endêmico de Noronha Mabuya mabuya. Certamente a garça alimenta-se dele, como de outros vertebrados pequenos, mas a profusão populacional e de ambientes ocupados pelo lagartinho noronhense torna impossível a garça representar uma ameaça para o mesmo nos seus atuais níveis.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
16 de abril de 2026

Ipaam regulamenta cadastro ambiental obrigatório e integra sistema ao Ibama no Amazonas

Norma unifica registros, define cobrança da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental do Amazonas (TCFA/AM) e amplia controle sobre atividades potencialmente poluidoras

Salada Verde
16 de abril de 2026

WWF-Brasil e Copaíba assumem Pacto da Mata Atlântica para destravar restauração

Nova coordenação aposta em articulação entre políticas públicas, financiamento e território para ampliar a escala e a efetividade da restauração no bioma

Notícias
16 de abril de 2026

Novos editais da BR-319 são contestados na Justiça por possíveis ilegalidades ambientais

Observatório do Clima prepara ação contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e aponta ausência de licenciamento e riscos climáticos na pavimentação do “trecho do meio”

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.