Fotografia

Coruripe em fotos de Juarez Cavalcanti

O fotógrafo Juarez Cavalcanti ia fazer um ensaio sobre costumes populares, quando lhe encomendaram um trabalho sobre uma reserva florestal. O resultado é espetacular.

Alexandre Sant´Anna ·
17 de fevereiro de 2005 · 22 anos atrás

Juarez Cavalcanti, alagoano, 47 anos, graduou-se em engenharia eletrônica pela PUC-RJ , mas nunca usou o diploma profissionalmente. Paralelamente ao curso, começou a fotografar para jornais universitários e rapidamente entrou no mercado editorial, onde passou pelas redações do jornal Folha de São Paulo e da revista Isto É. Trabalhou também como colaborador em publicações da Editora Abril e da Globo.

O livro sobre Coruripe começou quando Juarez tentou realizar um projeto sobre cultura popular e procurou uma empresa do setor canavieiro para patrocinar a idéia. Para sua surpresa, foi convidado para realizar um trabalho sobre árvores. Na verdade, ilustrar o trabalho da bióloga Alite Bezerra, havia desenvolvido na reserva florestal da usina como tese de mestrado. A empresa queria publicar algo que traduzisse visualmente a pesquisa.

Como Juarez nunca havia fotografado árvores na vida, encarou o desafio preocupado com questões complicadas, tais como distanciamento físico, pouca luz e emaranhados que fazem a mata virar um labirinto de copas, cipós, parasitas etc. A solução ficou em se priorizar detalhes, tais como troncos, folhas, frutos e fotografar árvores desde que elas tivessem uma “fotogenia” mais limpa.

Usou filme Velvia (50 asa) e lentes 28mm, 35mm, 55mm (macro) e 200mm, algumas com duplicador, tripé e longas exposições. Foram 28 viagens, aonde ficava em média três dias, fotografando das 5 da manhã até o último raio de luz, sempre na companhia fundamental do Seu Nilo, mateiro que é um mestre da floresta, pois é capaz de identificar todas as espécies da mata.

Como diz o fotógrafo Antonio Augusto Fontes no prefácio de “Coruripe”, “o resultado é a revelação de um reino mágico, onde micro e macro se equivalem numa mesma dimensão poética”. As fotos de Juarez parecem acarinhar folhas, frutos, raízes e troncos, como um amante maravilhado com as texturas e sutilezas da pele da amada.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
2 de outubro de 2026

Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia 

Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →

Análises
2 de outubro de 2026

Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas 

As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →

Análises
2 de outubro de 2026

Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso

Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.