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O Eco+ | Edição #294 | maio/2026

O Eco+ | Edição #294 | maio/2026

31 de maio de 2026


Terminamos de publicar esta semana as reportagens da 2ª edição da Bolsa Reportagem Vandré Fonseca, concedida pelo ((o))eco com apoio da Fundação Amazônia Sustentável e Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Na segunda, terça e quarta, colocamos no ar os três episódios do podcast Ventre das Águas, idealizado pelo bolsista Rodrigo Matana, que investiga a contaminação por uso de agrotóxico em Piraquara, considerado o “ventre” hídrico da Região Metropolitana de Curitiba por possuir mais de 90% do seu território composto por regiões de manancial que abastece a região. Na quinta, publicamos uma extensa reportagem de Rudja Santos sobre três hidrelétricas construídas no Rio Araguari e que mudaram profundamente a paisagem e o modo de vida local. Fechando o edital, na sexta publicamos a reportagem de Lara Sofia sobre as mulheres quebradeiras de coco babaçu de Imperatriz, no Maranhão.  

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Um estudo da Coalizão Terra é para Plantar e Proteger revelou que 57% dos assentamentos rurais do país estão sobrepostos por interesses minerários, com mais de 18 mil processos incidindo sobre territórios da reforma agrária. A pesquisa analisou os processos registrados na Agência Nacional de Mineração (ANM), responsáveis por conceder às empresas o direito de pesquisar ou explorar recursos minerais em áreas definidas por polígonos no mapa, e identificou o avanço dessas solicitações sobre áreas destinadas à produção agrícola e à permanência de comunidades assentadas. Segundo o levantamento, a maior parte dos processos está em fase de requerimento ou autorização de pesquisa mineral, enquanto outra parcela significativa já envolve pedidos de concessão de lavra e extração. Em entrevista a Mylena Melo, para ((o))eco, as coordenadoras do estudo, Julianna Malerba, da ONG Fase, e Verena Glass, da Fundação Rosa Luxemburgo, alertam para os impactos da expansão minerária sobre os territórios. Para Malerba, o estudo aponta “a dimensão do que está por vir”, enquanto Glass afirma que a reforma agrária, a produção de alimentos e a permanência das famílias assentadas vêm perdendo espaço diante do avanço da mineração. 

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Imperatriz, no Maranhão, tenta encerrar as atividades do lixão da Estrada do Arroz com a conclusão de um novo aterro sanitário, mas o histórico da cidade e a falta de coleta seletiva levantam dúvidas sobre o futuro da estrutura. Um levantamento de 2025 do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) aponta que o estado possui cerca de 250 depósitos irregulares de resíduos em funcionamento, número superior ao de municípios maranhenses. Em Imperatriz, dezenas de famílias trabalham e vivem no lixão atual, enquanto a prefeitura aposta na contratação de uma empresa para finalizar o aterro sanitário. A preocupação é que se repita o que ocorreu no início dos anos 2000, quando um aterro chegou a ser construído com recursos federais, mas nunca operou por falta de licença ambiental, ausência de estrutura para separação de resíduos e falhas na organização de cooperativas de catadores. O espaço acabou se transformando no lixão que existe hoje, conta as jornalistas Dhara Inácio e Sthefany Gomes. Embora a gestão municipal afirme que o novo projeto segue as exigências legais e ambientais, especialistas e moradores apontam que a cidade ainda não possui coleta seletiva estruturada, campanhas permanentes de separação de resíduos ou infraestrutura suficiente para descarte adequado, o que pode fazer com que o novo aterro receba o mesmo lixo misturado que atualmente é despejado no lixão.

Boa leitura!

Redação ((o))eco

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· Conservação no Mundo ·

Nem a Antártica está livre. Nas águas geladas do Oceano Antártico, as baleias e outros mamíferos marinhos dependem do krill para sobreviver. Mas, com o mercado de suplementos alimentares para humanos e rações para animais em expansão, e com as mudanças climáticas reduzindo as populações de krill, os cientistas temem que possa não haver o suficiente para todos. As enormes concentrações de krill na Antártica atraíram superarrastões de todo o mundo que coletam até 1.000 toneladas de krill por dia e, em seguida, processam os animais a bordo para produzir óleo de krill. Rico em ácidos graxos ômega-3, o óleo é usado em suplementos nutricionais para humanos, como alimento para aquicultura e em ração para animais de estimação. A indústria do krill movimenta até US$ 900 milhões anualmente. [E360Yale]

Árvore virou pó. Programa de plantio de árvores avaliado em mais de 99 milhões de reais (3 bilhões de rúpias nepalesas) foi concluído no papel, mas nenhuma árvore foi plantada no campo. Quando chegamos à área florestal de Basantapur, em Parsa, no dia 26 de dezembro, havia algumas plantas dispersas no campo vazio. Este é o mesmo campo em Basantapur onde o Escritório Florestal Distrital de Parsa plantou árvores em larga escala por três anos. Agora, não se vê nenhuma planta naquele local, exceto uma cerca simples. [Ukaalo]

 

· Dicas Culturais ·

• Para ler •

Dos mares, o melhor: caminhos para a sustentabilidade do oceano | Alexander Turra

Em “Dos Mares, o Melhor”, o oceanógrafo e comunicador científico Alexander Turra reúne textos publicados ao longo de cinco anos na coluna “Oceanos”, da Scientific American Brasil. A obra aborda temas ligados à cultura oceânica, às pressões sobre o meio ambiente marinho e às discussões sobre conservação dos oceanos no Brasil e no exterior. O livro também apresenta reflexões sobre comunicação científica e participação social na agenda oceânica, propondo ao leitor um olhar sobre a relação entre sociedade e oceano.

Ebook

• Para ver •

Você Já Escutou a Terra? | Museu da Pessoa

O Museu da Pessoa lançou a exposição digital “Você Já Escutou a Terra?”, que reúne 50 histórias de vida registradas entre 2024 e 2025 em todos os biomas do Brasil. Disponível na plataforma do projeto, o acervo apresenta relatos de povos indígenas, agricultores, artistas, quilombolas, cientistas e guardiões da natureza sobre território, mudanças climáticas e formas de convivência com a Terra. Entre os participantes estão Raoni Metuktire, Niède Guidon, Carlos Papá Mirim Poty, Mônica Santos, Vergínia Justiniano Paz, Binho Marques e Wenatoa Wenake Parakanã.

Museu da Pessoa

• Para ver •

 Aves Migratórias – A Grande Jornada | Adriano Gambarini

Dirigido e filmado por Adriano Augusto Gambarini, o documentário “Aves Migratórias – A Grande Jornada” acompanha o percurso de aves limícolas migratórias que viajam do Ártico à América do Sul. No Brasil, o filme passa pelo Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá, e pelas praias do Ceará, locais usados pelas aves para descanso durante a migração – além de registrar o trabalho de pesquisadores do Instituto Aquasis no monitoramento e conservação das espécies migratórias.

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