Reportagens

“Durante estes anos fizemos uma amizade muito linda com a natureza”

O Véu da Noiva faz que um casal que mora há 20 anos na região não abandone seus sonhos e projetos.

Maricela Rivera ·
16 de outubro de 2012 · 14 anos atrás
Marcelo e Rocío apostam pelo turismo na região. Crédito: Rubén Ramírez, Finding Species
Marcelo e Rocío apostam pelo turismo na região. Crédito: Rubén Ramírez, Finding Species
Já à tarde em Banhos, decidimos ir até o Véu da Noiva para ver essa cachoeira de perto. Logo ao descer pela trilha, uma ponte de mais de 100 metros nos ajuda a cruzar o Rio Pastaza. Do outro lado uma entrada com muitas plantas y flores nos recebe, pouco tempo depois uma risonha mulher nos pergunta o motivo de nossa visita. Seu notável carisma nos fez voltar para conversar com ela. Quando chega o momento de contar suas histórias, seu esposo aparece. 

Uma alta silhueta aparece no pequeno negócio onde se ofertam diferentes bebidas, é Seu Marcelo. No começo surpreendido e tímido, este homem de barbas brancas nos conta que mora neste lugar há 20 anos com sua esposa Rocio.

Como agrônomo, ele gosta muito de flores e da natureza, por isso escolheu este lugar para viver, onde abriu uma pousada aos pés da cascata. “Nestes anos conseguimos criar uma amizade muito linda com a natureza, com as borboletas, as aves, as plantas”, diz Seu Marcelo.

Sendo uma zona com alta porcentagem de precipitações, os solos são arenosos e pedregosos, causando uma rápida erosão pela água. Nos últimos 10 anos ocorreram três enchentes. A mais forte foi há dois anos, em fevereiro de 2010; as águas do Rio Chinchín que estavam represadas transbordaram e chegou uma enorme onda de água que arrasou tudo. “Nós tivemos 15 minutos para sair correndo, fiquei só com a chave do que foi a pousada”.

Com saudades, Marcelo e Rocio nos mostram seu álbum de fotos, onde podemos voltar no tempo e ver a cascata original, e conhecer a casa que tanto esforço e sacrifício lhes custou. “Agora estamos começando de zero, mas não deixaremos este lugar por nada”. A enxurrada levou tudo o que tinham exceto sua vontade de viver perto deste lugar mágico, que certamente é o que os enche de energia e forças para continuar. Abraçados, se despedem com um sorriso e nos convidam para voltar, para ver os avanços na reconstrução de seu negócio. Com certeza, voltaremos.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
4 de maio de 2026

Comunicação ambiental deve trabalhar para conscientizar a população pela preservação da natureza

Melhorias em índices de preservação da biodiversidade são reflexos do engajamento da sociedade pela proteção do meio ambiente

Reportagens
4 de maio de 2026

Ataque de criminosos armados ameaça ambientalistas na Serra da Chapadinha, na Bahia

Durante o atentado, bandidos destruíram computadores e sistemas de energia, deram tiros e ameaçaram casal de ambientalistas que luta por área protegida no local

Colunas
4 de maio de 2026

O colapso climático e humanitário nos tempos de guerra

Enquanto não houver recomposição de mecanismos eficazes de cooperação e responsabilização, tratados internacionais como o das mudanças climáticas serão abandonados em metas e prazos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.